Segunda, 24 Julho 2017, 14:32

Sítio: Geopor - Ciências da Terra na Internet
Disciplina: Geopor - Ciências da Terra na Internet (Geopor)
Glossário: Geocábula

A

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:39)
Resposta: Maria Campanário

Interesting phrase - "spheroidal disjuction". In humid climates basalt will, of course, break down more readily than granite, and you often see spheroidal weathering. Many lavas are noted by their platey character, defined by crudely developed joints parallel to their surface exposure. Combine this with the perpendicular columnar jointing and you generate rectangular blocks that can be easily attacked by chemical weathering. However, the best spheroidally weathered basalts that I have seen are associated with lavas pouring over wet ground. The steam produced will stream upward through the flow, often rapid chilling and associated jointing having glassy rinds that are readily susceptible to chemical breakdown. This is probably more than you want to know!

Victor Camp, Geologist SDSU – California;
Isabelle SacramentoGrilo, Geologist ChevronTexaco - California isacrame@geology.sdsu.edu
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 23:00)
Resposta: Anabela Jesus Silva

Contribuição 1

Com efeito o território continental português já teve actividade vulcânica - o complexo basáltico da zona de mafra-Lisboa é evidência deste facto. também na zona de Peniche existem algumas evidências nomeadamente "bombas vulcânicas".
Ana Antão (IPG)
anantao@ipg.pt

Contribuição 2

Efectivamente não é uma informação errada. Em Portugal continental já existiu vulcanismo activo, embora já à muitos milhões de anos. A região que vai de Lisboa até à zona da nazaré, apresenta hoje em dia algumas formações que provêm dessa mesma actividade.
A actividade vulcânica na zona de Ossa-Morena teve lugar no Câmbrico (diabases) e no Silúrico (vulcanitos). Estamos a falar de tempo de ordem de grandeza dos 400 aos 550 Ma.
Mais recentemente, instalaram-se os maciços eruptivos, subvulcânicos de Sintra, Sines e Monchique a que se sucedeu o vulcanismo expresso pelo já referido complexo vulcânico de Lisboa-Nazaré, onde se encontram materiais extrusivos (lavas e piroclastos) e filonianos, diques, chaminés e soleiras. Isto aconteceu no Cretácico superior, à cerca de 70 Ma. Alguns autores admitem que este vulcanismo se prolongou pelo início do Terciário.
Paulo Morgado (DG-UA)
pmorgado@geo.ua.pt

Contribuição 3

Não pretendo ser muito extenso na minha resposta, mas parece-me que os manuais estão correctos....Portugal Continental é que não existia da forma que o vemos hoje quando os vulcões nos 'visitaram'.

Vejamos...Sem ir muito longe no tempo e restringido-me aos períodos em que vulcões (quero dizer, cones elevados de lava) foram formados, existem alguns exemplos no Alentejo e região de Lisboa.

No Paleozóico (Devónico-Carbónico inferior) o Alentejo fazia parte de uma extensa margem oceânica sujeita a compressão. Grande parte das pirites Portuguesas e Espanholas (Aljustrel, Neves Corvo, Rio Tinto, etc.) resultam da formação de um extenso complexo vulcano-sedimentar submarino durante esse período.

No Mesozoíco português há indícios de vulcanismo no Triássico , Jurássico inferior e Jurássico superior, nomeadamente no Algarve e Estremadura, mas vulcões, nem vê-los... No final do Cretácico (Campaniano-Maastrichtiano) a região de Lisboa teve o 'prazer' de experimentar uma fase de intenso vulcanismo basáltico....Basta ir a Alfragide para ver um bom exemplo de um antigo cone vulcânico em frente ao edifício do Instituto Geológico e Mineiro. Cones semelhantes ocorrem entre Torres Vedras e Lisboa....e foram sobejamente utilizados como pavimento nas ruas antigas de Lisboa (o calcário desgasta-se depressa e é
muito pouco aderente, ao contrário do basalto). Mais uma vez, toda esta actividade vulcânica ocorreu debaixo de água, como parecem comprovar as faunas de Gastrópodes encontradas. A partir do Cretácico vulcanismo ocorreu nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

Dúvidas mais específicas poderão ser debeladas com a leitura (em Francês!) de:
Ribeiro, A., Antunes, M.T., Ferreira, M.P., Rocha, R.B., Soares, A.F., Zbyszewski, G., Moitinho de Almeida, F., Carvalho, D., Monteiro, J.H. (1979). Introduction à la Géologie generale du Portugal. Edições dos
Serviços Geológicos de Portugal: 114p.
É um pouco antigo, mas ainda uma ajuda preciosa para quem quer ter uma visão global da Geologia Portuguesa.
Espero ter sido útil.

Tiago Marcos F.M. Alves (Manchester, UK)
talves@fs1.ge.man.ac.uk

C

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:28)
Resposta: Espero que me possam ajudar! Obrigado

a) A génese das rochas feldspatóidicas é complexa e ainda assunto de aceso debate entre especialistas. Dada a vastidão da questão que coloca sugerimos que consulte a seguinte bibliografia introdutória, onde poderá encontrar informação sobre a petrografia e quimismo destas rochas, assim como indicações petrogenéticas.

HATCH F.H., WELLS A.K., WELLS M.K. (1972). Petrology of the Igneous Rocks. George Allen & Unwin (existe um capítulo específico sobre a origem das rochas feldspatóidicas e carbonatitos, onde os autores apresentam uma breve resenha das hipóteses petrogenéticas que têm sido sugeridas para este tipo de rochas).
HUGHES C.J. (1982). Igneous Petrology. Elsevier.
WILSON M. (1989). Igneous Petrogenesis. Unwin Hyman.

b) Norma: refere-se à % ponderal de minerais normativos (teóricos). Calcula-se com base na composição química da rocha e no conhecimento da formula quimico-estrutural teórica dos minerais normativos.
Moda: refere-se à % em volume dos minerais realmente existentes na rocha. Em resumo, é a determinação da composição mineralógica quantitativa da rocha. A moda pode ser calculada recorrendo, por exemplo, à técnica da contagem de pontos (ver o livro clássico de M. Roubault).
A norma, não reflectindo a composição mineralógica real da rocha, é hoje muito pouco utilizada para rochas faneríticas. No entanto, pode revelar-se de algum interesse no estudo de rochas vulcânicas. A moda serve de base à classificação mineralógica quantitativa das rochas igneas, hoje muito utilizada.

Graciete Dias (Dep. de Ciências da Terra - Univ. do Minho)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:21)
Resposta: Como relacionar as seguintes rochas: Ardósia, xisto, filito, shale. Como definir xistosidade, lineação e foliação. Qual a origem dos gneisses? Orto e paragneisses.

Contribuição 1

Vamos por partes:
  1. Foliação é uma propriedade que as rochas apresentam que se manifesta pela facilidade de se fracturarem segundo planos mais ou menos paralelos. Esta propriedade resulta, em muitos casos, de um alinhamento de minerais que possuem uma clivagem predominante segundo uma dada direcção. Xistosidade é um tipo de foliação. Neste caso esta é originada pela presença de grande quantidade de micas que estão orientadas na rocha. Lineação é uma propriedade das rochas apresentarem linhas, traços, que resultam do alinhamento de minerais prismáticos (em muitos casos).
  2. O termo "xisto sedimentar" não deverá ser usado devendo-se guardar a palavra xisto para caracterizar rochas de ambientes metamórficos. Em livros mais antigos (e infelizmente em alguns manuais escolares) surge o termo "xisto argiloso" como sendo uma rocha sedimentar. Trata-se de um argilito que possui uma foliação (em principio paralelamente à estratificação). Esta foliação resulta da existência de um alinhamento de minerais folhetados (normalmente micas) que, durante o processo de sedimentação se orientam exactamente do mesmo modo como um conjunto de folhas se orienta quando cai ao chão.
  3. 3. Ardósia é uma rocha metamórfica de grão fino, com foliação, normalmente de cores escuras. Filito é semelhante à ardósia embora a foliação não seja tão perfeita, podendo apresentar cores diversas. Xisto é uma rocha metamórfica que apresenta xistosidade (quando as micas são visíveis a olho nú, a rocha designa-se por micaxisto). Shale é um termo não muito utilizado em língua portuguesa e que dá origem a confusão. Ora aparece associado a rochas sedimentares de grão fino com foliação ora a rochas metamórficas também de grão fino.
  4. Gneisses são rochas metamórficas (de elevado grau de metamorfismo) de grão grosseiro que se caracterizam pela existência de bandas de mineralogia distinta. Ortogneisses são gneisses que resultam do metamorfismo de rochas ígneas (rochas graníticas) enquanto que os paragneisses resultam do metamorfismo de rochas sedimentares (arenitos na maior parte dos casos).
Em resumo:
Para rochas detriticas de grão fino de ambientes sedimentares, será melhor utilizar termos como argilito e siltito (de acordo com o tamanho dos sedimentos). Estas rochas podem ou não apresentar foliação (em caso afirmativo, a literatura anglo-saxónica utiliza o termo shale para estas rochas).
Para rochas metamórficas de grão fino, utilizam-se termos como ardósias, filitos e micaxistos. Se as rochas apresentam grão grosseiro e bandeamento, utiliza-se o termo gneisse.

Nota: As questões relacionadas com a nomenclatura das rochas pode suscitar ainda hoje alguma controvérsia. Assim poderão existir colegas que discordem desta minha resposta.

José Brilha (jbrilha@dct.uminho.pt)

Contribuição 2


Não é "linear" a resposta às suas questões; vou tentar ser o mais sucinto e exacto possível.

Existe alguma confusão na nomenclatura de rochas pelíticas, quer sedimentares quer metamórficas. Esta confusão advém de dois factos:
1 - da utilização "livre" (ou abusiva, como lhe quisermos chamar) de certos termos, nomeadamente no que se refere ao xisto;
2 - de haver uma sequência contínua de rochas com uma mesma origem (lodo argiloso ou argila - rocha sedimentar não consolidada) mas que podem apresentar diferentes estádios de evolução (diagénese e metamorfismo). Sendo contínua a sequência, torna-se difícil colocá-las em "gavetas" estanques, tradicional em qualquer tipo de nomenclatura (não deixa de ser um "mal necessário").

Nesta situação, recomendaria, como base de trabalho, a adopção da nomenclatura anglo-saxónica para uma classificação macroscópica que, gostemos ou não, é tradicionalmente simples e pragmática. Os termos adoptados na língua inglesa que designam as rochas deste parentesco (com origem no lodo argiloso e que apresentam diferentes graus de evolução) são, em grau crescente de evolução, os seguintes:

Mud ou clay - argila (sedimento constituído por uma mistura de partículas de dimensão inferior a 0,004 mm, geralmente silicatos de alumínio hidratados, com água).
Mudstone ou claystone - argilito (rocha sedimentar formada pela litificação de argilas, que não apresenta fissilidade - tendência das rochas em fragmentarem-se através de planos de estratificação extremamente finos); corresponde à argila compactada.
Shale - xisto argiloso (rocha sedimentar que apresenta fissilidade); corresponde ao argilito cimentado.
Slate - ardósia (rocha de baixo grau de metamorfismo, por vezes dita meta-sedimentar); apresenta clivagem produzida por pressão e textura afanítica. Curiosamente alguns autores anglo-saxónicos utilizam o termo "argillite" como sinónimo de "slate", o que em tradução literal para português, daria o argilito como sinónimo de ardósia.
Phyllite (ou "leaf stone") - filito (rocha metamórfica de grau médio, foliada, com minerais planares, como por exemplo micas, visíveis a olho nú). Os planos de foliação podem apresentar algum brilho sedoso.
Schist - xisto ou micaxisto (rocha metamórfica de alto grau, essencialmente formada por altas pressões, com uma foliação ou xistosidade muito desenvolvida, e constituída maioritariamente por micas - moscovite - com cristais muito desenvolvidos). Apresenta forte foliação, designada por xistosidade.
Gneiss - gnaisse (rocha metamórfica de muito alto grau, formada por altas pressões e altas temperaturas). Apresenta foliação e bandado composicional (leitos com composições mineralógicas distintas, uns típicamente de quartzo e feldspatos e outros de minerais máficos).

Em conclusão, para responder directamente às suas perguntas:

P: Como distinguir um xisto sedimentar de um metamórfico?
R: No sentido estrito do termo, não há xistos sedimentares.

P: Todos os xistos são metamórficos?
R: No sentido estrito do termo, sim.

P: Como relacionar as seguintes rochas: ardósia, xisto, filito, shale?
R: Ver texto anterior

P: Como distinguir xistosidade, lineação e foliação?
R: Começemos pela foliação e pela xistosidade.
Foliação (muitas vezes utilizada como sinónimo de clivagem) é um termo geral que abrange todas as estruturas planares existentes nas rochas metamórficas, produzidas por deformação. Esta designação inclui a clivagem de fractura, a clivagem de crenulação, a clivagem xistenta, a xistosidade e o bandado gnáissico. A xistosidade é, assim, um tipo de foliação, caracterizada pela ocorrência de groso suficientemente grandes para que a respectiva rocha seja classificada como um xisto (classificação não-genética). Quanto à lineação, podemos definir como: Qualquer estrutura linear que se encontra nas rochas, que pode ser superficial ou penetrativa (estrutura que se repete no interior das rochas a várias escalas de observação - macroscópico e microscópico). As lineações têm orientações consistentes e podem ser devidas a: (a) alinhamento preferencial de minerais prismáticos, como por exemplo a hornblenda; (b) intersecção de estruturas planares (p. ex: duas foliações); (c) alinhamento de eixos de dobras menores ou de bandas "kink" (dobramento penetrativo); (d) arranjo paralelo de elementos estruturais alongados.

P: Qual a origem dos gneisses? (é de evitar o "aportuguesamento" do termo original gneiss; é preferível utilizar gnaisse)
R: Os gnaisses têm origem na metamorfização (com fusão parcial) de rochas sedimentares (ex: argilitos) com estratos bem diferenciados, ou de rochas ígneas (ex: granitos) que sofreram a chamada diferenciação metamórfica (processo de migração química). Os primeiros são designados, quanto ao parentesco, como paragnaisses e, os segundos, como ortognaisses.

José Carlos Kullberg (jck@fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:42)
Resposta: 1- A Geopor tem um link a um site sobre tectónica de placas, que define placa do seguinte modo:
"Em termos geológicos, uma placa é um segmento rígido da crosta terrestre constituído por rocha sólida".
2- O exame de Geologia do 12º ano, 1ª chamada, propunha a leitura de um texto do DN magazine e uma das questões exigia a comparação entre o significado dos termos crusta terrestre e litosfera, mencionados em duas frases do texto:
a) "...a crusta terrestre é dividida em placas tectónicas..."
b) "...será mais fácil conhecer os diferentes deslocamentos entre as placas geológicas, compreender os movimentos dinâmicos da litosfera..."

Parece-me que existe uma certa confusão entre crosta e litosfera neste texto do DN, que o exame pretendia que os alunos clarificassem, mas nos jornais é "natural" acontecerem estas confusões... ou não é confusão? E são modelos distintos da estrutura da Terra? Será que ambas as definições estão correctas? Ou seja, uma placa pode ser um segmento de crosta ou de litosfera?
Gostaria de obter resposta de quem sabe. Obrigada.
Edite Bolacha

Contribuição 1

Crusta terrestre e a camada mais superficial da Terra segundo o modelo químico, enquanto que a litosfera é a camada mais superficial da Terra segundo o modelo fisico, englobando a crusta e a camada superficial do
Manto.
A resposta pedida no exame , segundo os criterios de classificação do mesmo era "A litosfera é constituida pela crusta e pelo manto superior".

Nuno Coelho (profcalhau@hotmail.com)

Contribuição 2

Aqui vai uma adaptação de parte de um trabalho que fiz para a cadeira de Geodinâmica (Licenciatura em Geologia, 4ºano, da FCUL). Espero que ajude a clarificar as constantes dúvidas que aparecem em relação aos conceitos de estratificação composicional da Terra em Crosta, Manto e Núcleo e de estratificação reológica da Terra em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera.

Comparação dos conceitos de estratificação composicional da Terra em Crosta, Manto e Núcleo e de estratificação reológica da Terra em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera
A Terra é um planeta diferenciado, ou seja, os materiais presentes na sua constituição estão separados e segregados em níveis concêntricos de acordo com a sua densidade. Os materiais mais densos encontram-se concentrados junto ao centro, enquanto que os de menor densidade se encontram junto à superfície.

Os níveis internos da Terra apresentam duas classificações distintas que têm como base ou as suas características químicas (composicionais) ou as suas propriedades físicas que traduzem o comportamento reológico. Enquanto que a estratificação da Terra em Crosta, Manto e Núcleo traduz as características composicionais, a estratificação em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera traduz as características reológicas.

A estratificação baseada na composição
O termo Crusta ou Crosta é usado para referir a estratificação mais exterior da Terra. A Terra no estado primordial deverá ter sido um "melt" que à medida que arrefeceu formou uma crosta rígida que envolvia o seu interior ainda no estado líquido. Apesar deste termo ter sido obsoleto durante cerca de um século, o termo Crusta ainda é popular. No entanto, adquiriu outro conceito que é aceite na generalidade, designando a estratificação mais externa da Terra, que se estende desde a superfície sólida até à primeira descontinuidade principal da velocidade sísmica da litosfera que traduz uma mudança composicional mas não estrutural.

A Crusta dos continentes é distinta da Crusta que se encontra sob as bacias oceânicas. A Crusta continental é muito mais espessa (desde 30 Km a 50 Km de espessura) e tem uma composição média granítica com uma densidade aproximada de cerca de 2.7 g/cm3. Por contraste a Crusta Oceânica apresenta uma espessura menor (até 8 Km) e tem uma composição média basáltica com uma densidade média de 3 g/cm3.

O Manto segue-se à Crusta e constitui aproximadamente cerca de 82% do volume da Terra e cerca de 62% da sua massa. Estendendo-se até aos 2883 Km, o Manto apresenta uma composição silicatada de Ferro e Magnésio (peridotítica) com uma densidade que aumenta desde cerca de 3.2 g/cm3 junto à Crusta para cerca de 5 g/cm3 junto ao contacto com o Núcleo.

O limite superior do Manto é conhecido pela primeira descontinuidade sísmica na velocidade de propagação das ondas. Esta primeira zona abaixo da superfície terrestre onde a velocidade de propagação das ondas sísmicas se reduz significativamente é denominada por descontinuidade de Mohorovic&Mac255;ic´, nome do sismólogo jusgoslavo que a descobriu em 1909. Actualmente esta descontinuidade é maioritariamente referida simplesmente por Moho ou descontinuidade M.

O Núcleo constitui a estratificação mais interna da Terra iniciando-se aos 2900 Km, estando separado do Manto pela descontinuidade sísmica de Gutenberg. Apesar da sua densidade aumentar para o centro da Terra apresenta uma densidade média de 10.8 g/cm3. Constitui apenas cerca de 16% do volume terrestre mas representa 32% da massa da Terra. A sua composição é maioritariamente constituída por ligas de Ferro e Níquel misturadas com outros elementos como Carbono, Silício ou Enxofre.

A estratificação baseada na reologia
Desde a superfície terrestre e até cerca de 70-150 km (sob os oceanos ou sob os continentes, respectivamente) o material encontra-se no estado sólido tendo um comportamento maioritariamente rígido, capaz de suportar pressões da ordem dos 100 bar sem sofrer deformação significativa. Esta zona da Terra denomina-se por Litosfera (Lithos, termo grego para denominar pedra – "esfera de pedra"). resta referir que esta zona da Terra corresponde às Placas Tectónicas.

Durante as últimas décadas foi reconhecida uma zona do Manto superior onde a temperatura e a pressão são tais que parte do material funde (cerca de 1% da sua massa total) ou encontra-se perto do ponto de fusão. Sob estas condições as rochas constituintes do Manto tornam-se plásticas e fluem. A esta zona que se deforma facilmente denomina-se por Astenosfera (Asthenes, termo grego para denominar fragilidade – "esfera fraca"). A Astenosfera estende-se até aos 150 km de profundidade, mas apresenta uma zona de transição, onde as placas litosféricas podem mergulhar, para a Mesosfera que se estende até cerca dos 600 km. A Astenosfera tem uma composição semelhante à Litosfera inferior, constituindo o suporte que permite o deslizamento das placas litosféricas, que podem mergulhar na Astenosfera por meio das superfícies de Wadatti-Benioff.

Com o aumento da profundidade a rocha peridotítica do Manto torna-se mais forte e mais rígida do que na Astenosfera devido ao aumento da temperatura não conseguir balançar o aumento da pressão. A esta região que se estende desde a base da Astenosfera até à fronteira Manto-Núcleo denomina-se Mesosfera.

Resta referir que o Núcleo representa uma mudança quer a nível composicional quer a nível reológico. A sua composição difere da composição peridotítica do Manto e segundo as propriedades físicas é constituído por dois níveis separados pela descontinuidade sísmica de Lehman: o Núcleo interno que se encontra no estado sólido e o Núcleo externo que se encontra no estado líquido e que se estende até cerca dos 5100 km. Este contraste entre o Núcleo interno e o Núcleo externo aliado à perca de calor e à rotação da Terra são tidos como os factores geradores do campo magnético terrestre.

Após esta breve descrição podemos concluir que apesar destes dois conceitos de estratificação interna da Terra coincidirem no caso da fronteira Manto—Núcleo, estes apresentam estratificações diferentes que não coincidem pois estão associados a dois conceito diferentes que não deverão ser confundidos. A estratificação da Terra em Crusta, Manto e Núcleo traduz apenas diferenças na composição química do interior da Terra enquanto que a estratificação em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera traduz o comportamento das rochas face às tensões aplicadas.

Rita Martins (rita_elvasmartins@yahoo.com)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:43)
Resposta: Resultam de dobramentos hercínicos, em que as rochas ordovícicas ocupam sinclinais apertados e alongados segundo NW-SE, e o CXG (agora deve designar-se por Super-Grupo Durico-Beirão) aflora em largos anticlinais adjacentes. Como os quartzitos são rochas muito resistente à meteorização e à erosão, o arrasamento dos relevos hercínicos deixou-os constituindo relevos residuais (cristas) que se destacam acima das plataformas elaboradas em filitos e metagrauvaques.

Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt) & P. Proença e Cunha (pcunha@ci.uc.pt)

E

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:47)
Resposta:

Contribuição 1

Entre aproximadamente 80 mil e 12 mil anos atrás a Terra foi afectada por um período mais frio que o actual, a Última Glaciação, conhecida nos Alpes como Wurm, na Escandinavia como Weichselian (o Vistuliano da Polónia) e Wisconsinian na América do Norte. Então, grande parte da América do Norte encontrava-se coberta por uma grande massa de gelo, denominada calote laurentina. O mesmo aconteceu na Escandinávia e Norte da Europa, onde se formou a calote escandinava. Estas calotes de gelo chegaram a ter em alguns pontos 3 km de espessura (à semelhança do que acontece hoje na Antárctida).

Muitas das montanhas da Terra, devido a esse arrefecimento generalizado, ficaram também cobertas por glaciares. Estes eram mais extensos que os actuais, nas montanhas onde ainda existem (como os Alpes, Himalaias, Andes ou as Rochosas). Noutras, onde actualmente não existem glaciares, se as condições foram favoráveis, o arrefecimento geral causou a sua formação.

Sabe-se que esses períodos mais frios, denominados glaciações ocorreram por diversas vezes durante os últimos 2 milhões de anos. Umas vezes originado glaciares maiores, e outras, menores.

Algumas montanhas portuguesas como as serras da Estrela, Peneda e Gerês, mostram efeitos das glaciações (erosão glaciária e também sedimentos depositados pelos glaciares). Por se tratarem de altitudes e latitudes relativamente baixas, as condições para a formação e manutenção dos glaciares não devem ter prevalecido durante tanto tempo, nem tão frequentemente como nas montanhas mais altas e latitudes mais elevadas. Pensa-se, por exemplo, que os vestigios de glaciares na serra da Estrela estão relacionado com o Máximo da Última Glaciação, datado de há cerca de 18 a 20 mil anos.

Portanto, Portugal apesar de hoje ser um país relativamente quente, teve também glaciares.

Gonçalo Teles Vieira
Centro de Estudos Geograficos, Univ. de Lisboa
gtvieira@ceg.ul.pt

Contribuição 2

Em primeiro lugar é necessário rectificar a afirmação, dado que Portugal não foi parte de um glaciar. O que sucedeu foi que quando a temperatura ambiente era muito mais baixa que a actual, em zonas montanhosas (tais como na Serra da Estrela, Gerês, etc) durante o inverno havia uma acumulação grande de neve que, devido ao próprio peso da neve e às baixas temperaturas passava a gelo. O verão era muito mais curto e a subida de temperatura não era suficiente para que a neve e gelo se derretessem. Assim, ficava sempre uma certa quantidade de gelo de um ano para o outro e progressivamente ia aumentando a quantidade de gelo acumulado nas zonas de montanhas. Esse gelo ia-se deslocando progressivamente ao longo dos vales e essas massa de gelo é que são chamadas glaciares. Este mecanismo existe actualmente em muitas zonas montanhosas da Europa Central (como os Alpes) e no Norte da Europa. Com o aumento continuado da temperatura nos últimos 30.000 anos, o gelo das zonas montanhosas de Portugal e de outras regiões da Europa foi desaparecendo de modo progressivo. Actualmente só em alguns períodos do inverno se encontra neve e algum gelo nas zonas montanhosas de Portugal. Em Espanha, onde há regiões montanhosas mais altas que Portugal (Pirinéus, Serra Nevada) existe neve e gelo durante o ano inteiro.

Ana Baia
Dep. de Ciências da Terra, univ. de Coimbra
ana-baia@clix.pt

G

Pergunta:
(Última edição: Quinta, 2 Outubro 2008, 05:25)
Resposta: ou poderão ser encontradas em sedimentos mais recentes? A minha (curta) memória 'micropaleontológica' dá-me para pensar que a Orbulina universa ainda se passeia pela nossa costa...
Muito obrigado pela ajuda. Saudações Geológicas.
Tiago

Sim, essas 3 espécies ainda se passeiam pelas costas ... sorriso
O mais provável é tratar-se de Quaternário (mesmo Holocénico). No entanto, com essas 3 espécies coexistindo na amostra, apenas se poderia afirmar (a pés juntos!) uma idade ulterior ao Miocénico superior. Para maior resolução biostratigráfica era necessário saber que espécies de Neogloboquadrina e de Globorotalia se encontram na(s) amostra(s), e respectivos enrolamentos predominantes. A latitude das amostras pode ainda condicionar a interpretação final.

Saudações geológicas (e biostratigráficas!).

Paulo Legoinha pal@fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:58)
Resposta: Fernanda

Contribuição 1

http://www.dct.fct.unl.pt/GGeo/GG1397-1435.html#1429

1426-Eluviação
Quando as rochas sofrem acções de meteorização, alguns dos componentes alteram-se e são arrastados pelas águas pluviais infiltradas. Os materiais residuais constituem os eluviões; ao fenómeno que os origina dá-se o nome de eluviação.

=============

meteorização (substantivo feminino): acto ou efeito de meteorizar ou meteorizar-se; o m. q. meteorismo, intemperismo (De meteorizar+-ção);
(GEOLOGIA)
conjunto de processos que provocam a desintegração e a decomposição das rochas e dos minerais, em virtude da acção dos agentes atmosféricos.

=====

lixiviação (substantivo feminino) acto ou operação de lixiviar; separação dos princípios solúveis contidos em certas substâncias, por meio de lavagem; (De lixiviar+-ção)

============

Em resumo, e salvo melhor opinião:
Eluviação é erosão meteórica (agentes atmosféricos). Lixiviação é erosão química por meio de lavagem (não necessariamente pela chuva).

Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa

Contribuição 2

Escribo en español, pues no sé en portugués triste

En español se utiliza eluviación (parecido a Eluviação) para indicar que un material dentro de un suelo es removilizado hacia otro horizonte. Por ejemplo, en los suelos llamados Podzoles, se origina un horizonte A por eluviación hacia el horizonte B (que se llama "de iluviación"); el A perdería material que se acumula en el B.

Coincide en español la definición de lixiviación (parecido a Lixiviação) como erosión química, si bien cuando se aplica a un suelo, solemos usarlo para indicar que el material lixiviado ha salido fuera del suelo (hacia aguas de superficiales o subterráneas).

Espero que mi español se entienda sin problemas por todos los integrantes de la lista. Como lengua latina, yo entiendo perfectamente el portugués, aunque no sé escribirlo.

Miguel V. Pardo Alonso
Universitat de València (Espanha)

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:56)
Resposta: Infelizmente a pergunta é demasiado vaga. Os sismos são detectados por instrumentos - os sismografos - que consistem essencialmente em massas inerciais cujos movimentos são amplificados, amortecidos e registados (num sismograma). O ficheiro SISMOMETRIA.DOC, é um resumo da introdução à sismometria que dou na cadeira de Geofísica em Coimbra.

O melhor lugar para encontrar este tipo de informacao é, claro, a Net. Encontram-se dados muito aprofundados no site http://www.seismo.com/msop/msop79/msop.html que contém o "Manual of Seismological Observatory Practice".

Outro site interessante é o da Public Seismic Network, http://seismicnet.com, destinado a sismólogos amadores. É verdade: há uma grande rede de pessoas, a maioria das quais nos EUA, mas também na Europa, que operam sismógrafos "na garagem". Que tal se começasse a haver também em Portugal? Contem comigo!

Ivo Alves livo@ci.uc.pt