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TODAS

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TODAS

A

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:39)
Resposta: Maria Campanário

Interesting phrase - "spheroidal disjuction". In humid climates basalt will, of course, break down more readily than granite, and you often see spheroidal weathering. Many lavas are noted by their platey character, defined by crudely developed joints parallel to their surface exposure. Combine this with the perpendicular columnar jointing and you generate rectangular blocks that can be easily attacked by chemical weathering. However, the best spheroidally weathered basalts that I have seen are associated with lavas pouring over wet ground. The steam produced will stream upward through the flow, often rapid chilling and associated jointing having glassy rinds that are readily susceptible to chemical breakdown. This is probably more than you want to know!

Victor Camp, Geologist SDSU – California;
Isabelle SacramentoGrilo, Geologist ChevronTexaco - California isacrame@geology.sdsu.edu
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 23:00)
Resposta: Anabela Jesus Silva

Contribuição 1

Com efeito o território continental português já teve actividade vulcânica - o complexo basáltico da zona de mafra-Lisboa é evidência deste facto. também na zona de Peniche existem algumas evidências nomeadamente "bombas vulcânicas".
Ana Antão (IPG)
anantao@ipg.pt

Contribuição 2

Efectivamente não é uma informação errada. Em Portugal continental já existiu vulcanismo activo, embora já à muitos milhões de anos. A região que vai de Lisboa até à zona da nazaré, apresenta hoje em dia algumas formações que provêm dessa mesma actividade.
A actividade vulcânica na zona de Ossa-Morena teve lugar no Câmbrico (diabases) e no Silúrico (vulcanitos). Estamos a falar de tempo de ordem de grandeza dos 400 aos 550 Ma.
Mais recentemente, instalaram-se os maciços eruptivos, subvulcânicos de Sintra, Sines e Monchique a que se sucedeu o vulcanismo expresso pelo já referido complexo vulcânico de Lisboa-Nazaré, onde se encontram materiais extrusivos (lavas e piroclastos) e filonianos, diques, chaminés e soleiras. Isto aconteceu no Cretácico superior, à cerca de 70 Ma. Alguns autores admitem que este vulcanismo se prolongou pelo início do Terciário.
Paulo Morgado (DG-UA)
pmorgado@geo.ua.pt

Contribuição 3

Não pretendo ser muito extenso na minha resposta, mas parece-me que os manuais estão correctos....Portugal Continental é que não existia da forma que o vemos hoje quando os vulcões nos 'visitaram'.

Vejamos...Sem ir muito longe no tempo e restringido-me aos períodos em que vulcões (quero dizer, cones elevados de lava) foram formados, existem alguns exemplos no Alentejo e região de Lisboa.

No Paleozóico (Devónico-Carbónico inferior) o Alentejo fazia parte de uma extensa margem oceânica sujeita a compressão. Grande parte das pirites Portuguesas e Espanholas (Aljustrel, Neves Corvo, Rio Tinto, etc.) resultam da formação de um extenso complexo vulcano-sedimentar submarino durante esse período.

No Mesozoíco português há indícios de vulcanismo no Triássico , Jurássico inferior e Jurássico superior, nomeadamente no Algarve e Estremadura, mas vulcões, nem vê-los... No final do Cretácico (Campaniano-Maastrichtiano) a região de Lisboa teve o 'prazer' de experimentar uma fase de intenso vulcanismo basáltico....Basta ir a Alfragide para ver um bom exemplo de um antigo cone vulcânico em frente ao edifício do Instituto Geológico e Mineiro. Cones semelhantes ocorrem entre Torres Vedras e Lisboa....e foram sobejamente utilizados como pavimento nas ruas antigas de Lisboa (o calcário desgasta-se depressa e é
muito pouco aderente, ao contrário do basalto). Mais uma vez, toda esta actividade vulcânica ocorreu debaixo de água, como parecem comprovar as faunas de Gastrópodes encontradas. A partir do Cretácico vulcanismo ocorreu nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

Dúvidas mais específicas poderão ser debeladas com a leitura (em Francês!) de:
Ribeiro, A., Antunes, M.T., Ferreira, M.P., Rocha, R.B., Soares, A.F., Zbyszewski, G., Moitinho de Almeida, F., Carvalho, D., Monteiro, J.H. (1979). Introduction à la Géologie generale du Portugal. Edições dos
Serviços Geológicos de Portugal: 114p.
É um pouco antigo, mas ainda uma ajuda preciosa para quem quer ter uma visão global da Geologia Portuguesa.
Espero ter sido útil.

Tiago Marcos F.M. Alves (Manchester, UK)
talves@fs1.ge.man.ac.uk

C

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:28)
Resposta: Espero que me possam ajudar! Obrigado

a) A génese das rochas feldspatóidicas é complexa e ainda assunto de aceso debate entre especialistas. Dada a vastidão da questão que coloca sugerimos que consulte a seguinte bibliografia introdutória, onde poderá encontrar informação sobre a petrografia e quimismo destas rochas, assim como indicações petrogenéticas.

HATCH F.H., WELLS A.K., WELLS M.K. (1972). Petrology of the Igneous Rocks. George Allen & Unwin (existe um capítulo específico sobre a origem das rochas feldspatóidicas e carbonatitos, onde os autores apresentam uma breve resenha das hipóteses petrogenéticas que têm sido sugeridas para este tipo de rochas).
HUGHES C.J. (1982). Igneous Petrology. Elsevier.
WILSON M. (1989). Igneous Petrogenesis. Unwin Hyman.

b) Norma: refere-se à % ponderal de minerais normativos (teóricos). Calcula-se com base na composição química da rocha e no conhecimento da formula quimico-estrutural teórica dos minerais normativos.
Moda: refere-se à % em volume dos minerais realmente existentes na rocha. Em resumo, é a determinação da composição mineralógica quantitativa da rocha. A moda pode ser calculada recorrendo, por exemplo, à técnica da contagem de pontos (ver o livro clássico de M. Roubault).
A norma, não reflectindo a composição mineralógica real da rocha, é hoje muito pouco utilizada para rochas faneríticas. No entanto, pode revelar-se de algum interesse no estudo de rochas vulcânicas. A moda serve de base à classificação mineralógica quantitativa das rochas igneas, hoje muito utilizada.

Graciete Dias (Dep. de Ciências da Terra - Univ. do Minho)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:21)
Resposta: Como relacionar as seguintes rochas: Ardósia, xisto, filito, shale. Como definir xistosidade, lineação e foliação. Qual a origem dos gneisses? Orto e paragneisses.

Contribuição 1

Vamos por partes:
  1. Foliação é uma propriedade que as rochas apresentam que se manifesta pela facilidade de se fracturarem segundo planos mais ou menos paralelos. Esta propriedade resulta, em muitos casos, de um alinhamento de minerais que possuem uma clivagem predominante segundo uma dada direcção. Xistosidade é um tipo de foliação. Neste caso esta é originada pela presença de grande quantidade de micas que estão orientadas na rocha. Lineação é uma propriedade das rochas apresentarem linhas, traços, que resultam do alinhamento de minerais prismáticos (em muitos casos).
  2. O termo "xisto sedimentar" não deverá ser usado devendo-se guardar a palavra xisto para caracterizar rochas de ambientes metamórficos. Em livros mais antigos (e infelizmente em alguns manuais escolares) surge o termo "xisto argiloso" como sendo uma rocha sedimentar. Trata-se de um argilito que possui uma foliação (em principio paralelamente à estratificação). Esta foliação resulta da existência de um alinhamento de minerais folhetados (normalmente micas) que, durante o processo de sedimentação se orientam exactamente do mesmo modo como um conjunto de folhas se orienta quando cai ao chão.
  3. 3. Ardósia é uma rocha metamórfica de grão fino, com foliação, normalmente de cores escuras. Filito é semelhante à ardósia embora a foliação não seja tão perfeita, podendo apresentar cores diversas. Xisto é uma rocha metamórfica que apresenta xistosidade (quando as micas são visíveis a olho nú, a rocha designa-se por micaxisto). Shale é um termo não muito utilizado em língua portuguesa e que dá origem a confusão. Ora aparece associado a rochas sedimentares de grão fino com foliação ora a rochas metamórficas também de grão fino.
  4. Gneisses são rochas metamórficas (de elevado grau de metamorfismo) de grão grosseiro que se caracterizam pela existência de bandas de mineralogia distinta. Ortogneisses são gneisses que resultam do metamorfismo de rochas ígneas (rochas graníticas) enquanto que os paragneisses resultam do metamorfismo de rochas sedimentares (arenitos na maior parte dos casos).
Em resumo:
Para rochas detriticas de grão fino de ambientes sedimentares, será melhor utilizar termos como argilito e siltito (de acordo com o tamanho dos sedimentos). Estas rochas podem ou não apresentar foliação (em caso afirmativo, a literatura anglo-saxónica utiliza o termo shale para estas rochas).
Para rochas metamórficas de grão fino, utilizam-se termos como ardósias, filitos e micaxistos. Se as rochas apresentam grão grosseiro e bandeamento, utiliza-se o termo gneisse.

Nota: As questões relacionadas com a nomenclatura das rochas pode suscitar ainda hoje alguma controvérsia. Assim poderão existir colegas que discordem desta minha resposta.

José Brilha (jbrilha@dct.uminho.pt)

Contribuição 2


Não é "linear" a resposta às suas questões; vou tentar ser o mais sucinto e exacto possível.

Existe alguma confusão na nomenclatura de rochas pelíticas, quer sedimentares quer metamórficas. Esta confusão advém de dois factos:
1 - da utilização "livre" (ou abusiva, como lhe quisermos chamar) de certos termos, nomeadamente no que se refere ao xisto;
2 - de haver uma sequência contínua de rochas com uma mesma origem (lodo argiloso ou argila - rocha sedimentar não consolidada) mas que podem apresentar diferentes estádios de evolução (diagénese e metamorfismo). Sendo contínua a sequência, torna-se difícil colocá-las em "gavetas" estanques, tradicional em qualquer tipo de nomenclatura (não deixa de ser um "mal necessário").

Nesta situação, recomendaria, como base de trabalho, a adopção da nomenclatura anglo-saxónica para uma classificação macroscópica que, gostemos ou não, é tradicionalmente simples e pragmática. Os termos adoptados na língua inglesa que designam as rochas deste parentesco (com origem no lodo argiloso e que apresentam diferentes graus de evolução) são, em grau crescente de evolução, os seguintes:

Mud ou clay - argila (sedimento constituído por uma mistura de partículas de dimensão inferior a 0,004 mm, geralmente silicatos de alumínio hidratados, com água).
Mudstone ou claystone - argilito (rocha sedimentar formada pela litificação de argilas, que não apresenta fissilidade - tendência das rochas em fragmentarem-se através de planos de estratificação extremamente finos); corresponde à argila compactada.
Shale - xisto argiloso (rocha sedimentar que apresenta fissilidade); corresponde ao argilito cimentado.
Slate - ardósia (rocha de baixo grau de metamorfismo, por vezes dita meta-sedimentar); apresenta clivagem produzida por pressão e textura afanítica. Curiosamente alguns autores anglo-saxónicos utilizam o termo "argillite" como sinónimo de "slate", o que em tradução literal para português, daria o argilito como sinónimo de ardósia.
Phyllite (ou "leaf stone") - filito (rocha metamórfica de grau médio, foliada, com minerais planares, como por exemplo micas, visíveis a olho nú). Os planos de foliação podem apresentar algum brilho sedoso.
Schist - xisto ou micaxisto (rocha metamórfica de alto grau, essencialmente formada por altas pressões, com uma foliação ou xistosidade muito desenvolvida, e constituída maioritariamente por micas - moscovite - com cristais muito desenvolvidos). Apresenta forte foliação, designada por xistosidade.
Gneiss - gnaisse (rocha metamórfica de muito alto grau, formada por altas pressões e altas temperaturas). Apresenta foliação e bandado composicional (leitos com composições mineralógicas distintas, uns típicamente de quartzo e feldspatos e outros de minerais máficos).

Em conclusão, para responder directamente às suas perguntas:

P: Como distinguir um xisto sedimentar de um metamórfico?
R: No sentido estrito do termo, não há xistos sedimentares.

P: Todos os xistos são metamórficos?
R: No sentido estrito do termo, sim.

P: Como relacionar as seguintes rochas: ardósia, xisto, filito, shale?
R: Ver texto anterior

P: Como distinguir xistosidade, lineação e foliação?
R: Começemos pela foliação e pela xistosidade.
Foliação (muitas vezes utilizada como sinónimo de clivagem) é um termo geral que abrange todas as estruturas planares existentes nas rochas metamórficas, produzidas por deformação. Esta designação inclui a clivagem de fractura, a clivagem de crenulação, a clivagem xistenta, a xistosidade e o bandado gnáissico. A xistosidade é, assim, um tipo de foliação, caracterizada pela ocorrência de groso suficientemente grandes para que a respectiva rocha seja classificada como um xisto (classificação não-genética). Quanto à lineação, podemos definir como: Qualquer estrutura linear que se encontra nas rochas, que pode ser superficial ou penetrativa (estrutura que se repete no interior das rochas a várias escalas de observação - macroscópico e microscópico). As lineações têm orientações consistentes e podem ser devidas a: (a) alinhamento preferencial de minerais prismáticos, como por exemplo a hornblenda; (b) intersecção de estruturas planares (p. ex: duas foliações); (c) alinhamento de eixos de dobras menores ou de bandas "kink" (dobramento penetrativo); (d) arranjo paralelo de elementos estruturais alongados.

P: Qual a origem dos gneisses? (é de evitar o "aportuguesamento" do termo original gneiss; é preferível utilizar gnaisse)
R: Os gnaisses têm origem na metamorfização (com fusão parcial) de rochas sedimentares (ex: argilitos) com estratos bem diferenciados, ou de rochas ígneas (ex: granitos) que sofreram a chamada diferenciação metamórfica (processo de migração química). Os primeiros são designados, quanto ao parentesco, como paragnaisses e, os segundos, como ortognaisses.

José Carlos Kullberg (jck@fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:42)
Resposta: 1- A Geopor tem um link a um site sobre tectónica de placas, que define placa do seguinte modo:
"Em termos geológicos, uma placa é um segmento rígido da crosta terrestre constituído por rocha sólida".
2- O exame de Geologia do 12º ano, 1ª chamada, propunha a leitura de um texto do DN magazine e uma das questões exigia a comparação entre o significado dos termos crusta terrestre e litosfera, mencionados em duas frases do texto:
a) "...a crusta terrestre é dividida em placas tectónicas..."
b) "...será mais fácil conhecer os diferentes deslocamentos entre as placas geológicas, compreender os movimentos dinâmicos da litosfera..."

Parece-me que existe uma certa confusão entre crosta e litosfera neste texto do DN, que o exame pretendia que os alunos clarificassem, mas nos jornais é "natural" acontecerem estas confusões... ou não é confusão? E são modelos distintos da estrutura da Terra? Será que ambas as definições estão correctas? Ou seja, uma placa pode ser um segmento de crosta ou de litosfera?
Gostaria de obter resposta de quem sabe. Obrigada.
Edite Bolacha

Contribuição 1

Crusta terrestre e a camada mais superficial da Terra segundo o modelo químico, enquanto que a litosfera é a camada mais superficial da Terra segundo o modelo fisico, englobando a crusta e a camada superficial do
Manto.
A resposta pedida no exame , segundo os criterios de classificação do mesmo era "A litosfera é constituida pela crusta e pelo manto superior".

Nuno Coelho (profcalhau@hotmail.com)

Contribuição 2

Aqui vai uma adaptação de parte de um trabalho que fiz para a cadeira de Geodinâmica (Licenciatura em Geologia, 4ºano, da FCUL). Espero que ajude a clarificar as constantes dúvidas que aparecem em relação aos conceitos de estratificação composicional da Terra em Crosta, Manto e Núcleo e de estratificação reológica da Terra em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera.

Comparação dos conceitos de estratificação composicional da Terra em Crosta, Manto e Núcleo e de estratificação reológica da Terra em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera
A Terra é um planeta diferenciado, ou seja, os materiais presentes na sua constituição estão separados e segregados em níveis concêntricos de acordo com a sua densidade. Os materiais mais densos encontram-se concentrados junto ao centro, enquanto que os de menor densidade se encontram junto à superfície.

Os níveis internos da Terra apresentam duas classificações distintas que têm como base ou as suas características químicas (composicionais) ou as suas propriedades físicas que traduzem o comportamento reológico. Enquanto que a estratificação da Terra em Crosta, Manto e Núcleo traduz as características composicionais, a estratificação em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera traduz as características reológicas.

A estratificação baseada na composição
O termo Crusta ou Crosta é usado para referir a estratificação mais exterior da Terra. A Terra no estado primordial deverá ter sido um "melt" que à medida que arrefeceu formou uma crosta rígida que envolvia o seu interior ainda no estado líquido. Apesar deste termo ter sido obsoleto durante cerca de um século, o termo Crusta ainda é popular. No entanto, adquiriu outro conceito que é aceite na generalidade, designando a estratificação mais externa da Terra, que se estende desde a superfície sólida até à primeira descontinuidade principal da velocidade sísmica da litosfera que traduz uma mudança composicional mas não estrutural.

A Crusta dos continentes é distinta da Crusta que se encontra sob as bacias oceânicas. A Crusta continental é muito mais espessa (desde 30 Km a 50 Km de espessura) e tem uma composição média granítica com uma densidade aproximada de cerca de 2.7 g/cm3. Por contraste a Crusta Oceânica apresenta uma espessura menor (até 8 Km) e tem uma composição média basáltica com uma densidade média de 3 g/cm3.

O Manto segue-se à Crusta e constitui aproximadamente cerca de 82% do volume da Terra e cerca de 62% da sua massa. Estendendo-se até aos 2883 Km, o Manto apresenta uma composição silicatada de Ferro e Magnésio (peridotítica) com uma densidade que aumenta desde cerca de 3.2 g/cm3 junto à Crusta para cerca de 5 g/cm3 junto ao contacto com o Núcleo.

O limite superior do Manto é conhecido pela primeira descontinuidade sísmica na velocidade de propagação das ondas. Esta primeira zona abaixo da superfície terrestre onde a velocidade de propagação das ondas sísmicas se reduz significativamente é denominada por descontinuidade de Mohorovic&Mac255;ic´, nome do sismólogo jusgoslavo que a descobriu em 1909. Actualmente esta descontinuidade é maioritariamente referida simplesmente por Moho ou descontinuidade M.

O Núcleo constitui a estratificação mais interna da Terra iniciando-se aos 2900 Km, estando separado do Manto pela descontinuidade sísmica de Gutenberg. Apesar da sua densidade aumentar para o centro da Terra apresenta uma densidade média de 10.8 g/cm3. Constitui apenas cerca de 16% do volume terrestre mas representa 32% da massa da Terra. A sua composição é maioritariamente constituída por ligas de Ferro e Níquel misturadas com outros elementos como Carbono, Silício ou Enxofre.

A estratificação baseada na reologia
Desde a superfície terrestre e até cerca de 70-150 km (sob os oceanos ou sob os continentes, respectivamente) o material encontra-se no estado sólido tendo um comportamento maioritariamente rígido, capaz de suportar pressões da ordem dos 100 bar sem sofrer deformação significativa. Esta zona da Terra denomina-se por Litosfera (Lithos, termo grego para denominar pedra – "esfera de pedra"). resta referir que esta zona da Terra corresponde às Placas Tectónicas.

Durante as últimas décadas foi reconhecida uma zona do Manto superior onde a temperatura e a pressão são tais que parte do material funde (cerca de 1% da sua massa total) ou encontra-se perto do ponto de fusão. Sob estas condições as rochas constituintes do Manto tornam-se plásticas e fluem. A esta zona que se deforma facilmente denomina-se por Astenosfera (Asthenes, termo grego para denominar fragilidade – "esfera fraca"). A Astenosfera estende-se até aos 150 km de profundidade, mas apresenta uma zona de transição, onde as placas litosféricas podem mergulhar, para a Mesosfera que se estende até cerca dos 600 km. A Astenosfera tem uma composição semelhante à Litosfera inferior, constituindo o suporte que permite o deslizamento das placas litosféricas, que podem mergulhar na Astenosfera por meio das superfícies de Wadatti-Benioff.

Com o aumento da profundidade a rocha peridotítica do Manto torna-se mais forte e mais rígida do que na Astenosfera devido ao aumento da temperatura não conseguir balançar o aumento da pressão. A esta região que se estende desde a base da Astenosfera até à fronteira Manto-Núcleo denomina-se Mesosfera.

Resta referir que o Núcleo representa uma mudança quer a nível composicional quer a nível reológico. A sua composição difere da composição peridotítica do Manto e segundo as propriedades físicas é constituído por dois níveis separados pela descontinuidade sísmica de Lehman: o Núcleo interno que se encontra no estado sólido e o Núcleo externo que se encontra no estado líquido e que se estende até cerca dos 5100 km. Este contraste entre o Núcleo interno e o Núcleo externo aliado à perca de calor e à rotação da Terra são tidos como os factores geradores do campo magnético terrestre.

Após esta breve descrição podemos concluir que apesar destes dois conceitos de estratificação interna da Terra coincidirem no caso da fronteira Manto—Núcleo, estes apresentam estratificações diferentes que não coincidem pois estão associados a dois conceito diferentes que não deverão ser confundidos. A estratificação da Terra em Crusta, Manto e Núcleo traduz apenas diferenças na composição química do interior da Terra enquanto que a estratificação em Litosfera, Astenosfera e Mesosfera traduz o comportamento das rochas face às tensões aplicadas.

Rita Martins (rita_elvasmartins@yahoo.com)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:43)
Resposta: Resultam de dobramentos hercínicos, em que as rochas ordovícicas ocupam sinclinais apertados e alongados segundo NW-SE, e o CXG (agora deve designar-se por Super-Grupo Durico-Beirão) aflora em largos anticlinais adjacentes. Como os quartzitos são rochas muito resistente à meteorização e à erosão, o arrasamento dos relevos hercínicos deixou-os constituindo relevos residuais (cristas) que se destacam acima das plataformas elaboradas em filitos e metagrauvaques.

Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt) & P. Proença e Cunha (pcunha@ci.uc.pt)

E

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:47)
Resposta:

Contribuição 1

Entre aproximadamente 80 mil e 12 mil anos atrás a Terra foi afectada por um período mais frio que o actual, a Última Glaciação, conhecida nos Alpes como Wurm, na Escandinavia como Weichselian (o Vistuliano da Polónia) e Wisconsinian na América do Norte. Então, grande parte da América do Norte encontrava-se coberta por uma grande massa de gelo, denominada calote laurentina. O mesmo aconteceu na Escandinávia e Norte da Europa, onde se formou a calote escandinava. Estas calotes de gelo chegaram a ter em alguns pontos 3 km de espessura (à semelhança do que acontece hoje na Antárctida).

Muitas das montanhas da Terra, devido a esse arrefecimento generalizado, ficaram também cobertas por glaciares. Estes eram mais extensos que os actuais, nas montanhas onde ainda existem (como os Alpes, Himalaias, Andes ou as Rochosas). Noutras, onde actualmente não existem glaciares, se as condições foram favoráveis, o arrefecimento geral causou a sua formação.

Sabe-se que esses períodos mais frios, denominados glaciações ocorreram por diversas vezes durante os últimos 2 milhões de anos. Umas vezes originado glaciares maiores, e outras, menores.

Algumas montanhas portuguesas como as serras da Estrela, Peneda e Gerês, mostram efeitos das glaciações (erosão glaciária e também sedimentos depositados pelos glaciares). Por se tratarem de altitudes e latitudes relativamente baixas, as condições para a formação e manutenção dos glaciares não devem ter prevalecido durante tanto tempo, nem tão frequentemente como nas montanhas mais altas e latitudes mais elevadas. Pensa-se, por exemplo, que os vestigios de glaciares na serra da Estrela estão relacionado com o Máximo da Última Glaciação, datado de há cerca de 18 a 20 mil anos.

Portanto, Portugal apesar de hoje ser um país relativamente quente, teve também glaciares.

Gonçalo Teles Vieira
Centro de Estudos Geograficos, Univ. de Lisboa
gtvieira@ceg.ul.pt

Contribuição 2

Em primeiro lugar é necessário rectificar a afirmação, dado que Portugal não foi parte de um glaciar. O que sucedeu foi que quando a temperatura ambiente era muito mais baixa que a actual, em zonas montanhosas (tais como na Serra da Estrela, Gerês, etc) durante o inverno havia uma acumulação grande de neve que, devido ao próprio peso da neve e às baixas temperaturas passava a gelo. O verão era muito mais curto e a subida de temperatura não era suficiente para que a neve e gelo se derretessem. Assim, ficava sempre uma certa quantidade de gelo de um ano para o outro e progressivamente ia aumentando a quantidade de gelo acumulado nas zonas de montanhas. Esse gelo ia-se deslocando progressivamente ao longo dos vales e essas massa de gelo é que são chamadas glaciares. Este mecanismo existe actualmente em muitas zonas montanhosas da Europa Central (como os Alpes) e no Norte da Europa. Com o aumento continuado da temperatura nos últimos 30.000 anos, o gelo das zonas montanhosas de Portugal e de outras regiões da Europa foi desaparecendo de modo progressivo. Actualmente só em alguns períodos do inverno se encontra neve e algum gelo nas zonas montanhosas de Portugal. Em Espanha, onde há regiões montanhosas mais altas que Portugal (Pirinéus, Serra Nevada) existe neve e gelo durante o ano inteiro.

Ana Baia
Dep. de Ciências da Terra, univ. de Coimbra
ana-baia@clix.pt

G

Pergunta:
(Última edição: Quinta, 2 Outubro 2008, 05:25)
Resposta: ou poderão ser encontradas em sedimentos mais recentes? A minha (curta) memória 'micropaleontológica' dá-me para pensar que a Orbulina universa ainda se passeia pela nossa costa...
Muito obrigado pela ajuda. Saudações Geológicas.
Tiago

Sim, essas 3 espécies ainda se passeiam pelas costas ... sorriso
O mais provável é tratar-se de Quaternário (mesmo Holocénico). No entanto, com essas 3 espécies coexistindo na amostra, apenas se poderia afirmar (a pés juntos!) uma idade ulterior ao Miocénico superior. Para maior resolução biostratigráfica era necessário saber que espécies de Neogloboquadrina e de Globorotalia se encontram na(s) amostra(s), e respectivos enrolamentos predominantes. A latitude das amostras pode ainda condicionar a interpretação final.

Saudações geológicas (e biostratigráficas!).

Paulo Legoinha pal@fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:58)
Resposta: Fernanda

Contribuição 1

http://www.dct.fct.unl.pt/GGeo/GG1397-1435.html#1429

1426-Eluviação
Quando as rochas sofrem acções de meteorização, alguns dos componentes alteram-se e são arrastados pelas águas pluviais infiltradas. Os materiais residuais constituem os eluviões; ao fenómeno que os origina dá-se o nome de eluviação.

=============

meteorização (substantivo feminino): acto ou efeito de meteorizar ou meteorizar-se; o m. q. meteorismo, intemperismo (De meteorizar+-ção);
(GEOLOGIA)
conjunto de processos que provocam a desintegração e a decomposição das rochas e dos minerais, em virtude da acção dos agentes atmosféricos.

=====

lixiviação (substantivo feminino) acto ou operação de lixiviar; separação dos princípios solúveis contidos em certas substâncias, por meio de lavagem; (De lixiviar+-ção)

============

Em resumo, e salvo melhor opinião:
Eluviação é erosão meteórica (agentes atmosféricos). Lixiviação é erosão química por meio de lavagem (não necessariamente pela chuva).

Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa

Contribuição 2

Escribo en español, pues no sé en portugués triste

En español se utiliza eluviación (parecido a Eluviação) para indicar que un material dentro de un suelo es removilizado hacia otro horizonte. Por ejemplo, en los suelos llamados Podzoles, se origina un horizonte A por eluviación hacia el horizonte B (que se llama "de iluviación"); el A perdería material que se acumula en el B.

Coincide en español la definición de lixiviación (parecido a Lixiviação) como erosión química, si bien cuando se aplica a un suelo, solemos usarlo para indicar que el material lixiviado ha salido fuera del suelo (hacia aguas de superficiales o subterráneas).

Espero que mi español se entienda sin problemas por todos los integrantes de la lista. Como lengua latina, yo entiendo perfectamente el portugués, aunque no sé escribirlo.

Miguel V. Pardo Alonso
Universitat de València (Espanha)

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:56)
Resposta: Infelizmente a pergunta é demasiado vaga. Os sismos são detectados por instrumentos - os sismografos - que consistem essencialmente em massas inerciais cujos movimentos são amplificados, amortecidos e registados (num sismograma). O ficheiro SISMOMETRIA.DOC, é um resumo da introdução à sismometria que dou na cadeira de Geofísica em Coimbra.

O melhor lugar para encontrar este tipo de informacao é, claro, a Net. Encontram-se dados muito aprofundados no site http://www.seismo.com/msop/msop79/msop.html que contém o "Manual of Seismological Observatory Practice".

Outro site interessante é o da Public Seismic Network, http://seismicnet.com, destinado a sismólogos amadores. É verdade: há uma grande rede de pessoas, a maioria das quais nos EUA, mas também na Europa, que operam sismógrafos "na garagem". Que tal se começasse a haver também em Portugal? Contem comigo!

Ivo Alves livo@ci.uc.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:16)
Resposta: Também gostava de ver esclarecida qual a importância do estudo dos sistemas binários como o sistema forsterite-diópsido-silica e o sistemafosterite-diopsido-silica a altas pressões mais uma vez no estudo das rochas igneas. É uma optima ideia a criação de sites deste género para k os curiosos e interessados pela geologia possam tirar as suas dúvidas
Teresa Canha

Lherzólito é uma rocha ígnea, plutónica, ultramáfica similar a um peridotito. Contém 40-90% de olivina, >5% de ortopiroxena e >5% de clinopiroxena com plagioclase, espinela e granada acessórias. É tida como modelo para a composição do manto superior.
Segundo Bravo & Rodrigues (1983) o estudo laboratorial de sistemas simples adequados pode constituir um valioso complemento às observações de campo e aos estudos mineralógicos, petrográficos e químicos de rochas ígneas. O resultado desses estudos laboratoriais é geralmente sintetizado sob a forma de diagramas de fases que são representações geométricas dos campos de estabilidade de fases (minerais e líquidos) em função da pressão, temperatura e composição. O sistema forsterite-diópsido-silica não é, salvo erro, binário mas sim ternário.

Rodrigues, B., Bravo, M. (1983): Interpretação de diagramas de fases de interesse geológico. Univ. Nova de Lisboa, Fac. de Ciências e Tecnologia.

Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa (jars@helios.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:57)
Resposta:

Contribuição 1

Tilitos - rocha sedimentar formada pela compactação e cimentação de TILL. Este é geralmente composto por material não estratificado depositado directamente por gelo glacial. O TILL apresenta uma granoclassificação pobre, com material variando de argila a calhaus. Os clastos são angulares por não serem sujeitos a importante transporte por massas de água.

Varvas - depósitos em bandas alternadas de diferente cor e/ou textura, resultantes de sedimentação cíclica. Estes desenvolvem-se preferencialmente no fundo de lagos de água doce e fria, para onde ribeiras e rios desaguam intermitentemente. São raramente encontrados em água salgada ou salobra. Caso a laminação alternada resulte de ciclos sazonais ao longo de períodos de 1 ano, estes depósitos poderão ser usados como meio de datação, chamando-se entao VARVAS.

Tiago Alves (talves@fs1.ge.man.ac.uk)

Contribuição 2

Vão aqui moradas electrónicas de glossários de geologia e geomorfologia que podem ajudar a algumas questões:
http://www.geology.iastate.edu/new_100/glossary.html
http://www.geologylink.com/glossary/
http://www.geog.ouc.bc.ca/physgeog/physgeoglos/glossary.html
http://main.amu.edu.pl/~sgp/gw/gw1.htm

Isabelle Sacramento Grilo (isacrame@sciences.sdsu.edu)

Contribuição 3

Tilitos são rochas sedimentares de origem glaciar.

Varvas são depósitos sedimentares finos, ritmicos. São constituídas por uma alternância ritmica de níveis sedimentares mais escuros e mais claros. A cor está relacionada com o teor em matéria orgânica, tornando-se mais escura quanto maior for o teor em matéria orgânica. Esta alternância reflecte a sazonalidade Verão (níveis mais claros) / Inverno (níveis mais escuros).

Olistostromas (e não olistrostomas) são grandes massas de material caótico incluidas em unidades liticas mais modernas, por acção tectónica ou gravitica. Por ex. olistostromas do Guadalquivir.

Olistolitos são blocos de grandes dimensões de rochas mais antigas incluídos em (ou caídos no seio de) rochas mais modernas.

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:54)
Resposta: Envio, na parte final da mensagem, a equivalência com as fases orogénicas europeias. Receio que haja alguma desformatação no e-mail; o melhor é consultar, mais tarde, na Geocábula do Geopor.

Cumprimentos,
Paulo Legoinha - Ciências da Terra (FCT, UNL)

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Isabelle Sacramento Grilo:
Em resposta à pergunta de Maria Adelaide Cardoso de 7 de Junho, posso tentar satisfazer só a primeira parte da sua pergunta e especialmente no que diz repeito à tectónica da América do Norte (que tem sido relativamente bem estudada):

America do Norte - Oeste:
- Orogenia Antler - Late Devonian/Early Mississippian
- Orogenia Sonoman - Permian/Triassic
- Orogenia Nevadan - Jurassic
- Orogenia Sevier - Cretaceous
- Orogenia Laramide - Late Cretaceous/Early Tertiary

America do Norte - Leste/Sul:
- Orogenia de "colisoes" - Archean (até 2,5 Ga)
- Orogenia Grenville - Proterozoic (1,2 - 1,0 Ga)
- Orogenia Taconic - Ordovician
- Orogenia Acadian/Caledonian - Silurian/Devonian
- Orogenia Alleghenian/Hercynian - Carboniferous

Fico à disposição se precisar de mais informações, visto que estas são muito resumidas.

Cumprimentos tectonicos,
Dept. Geological Sciences
San Diego State University - California - USA
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OROGENIAS:

América do Norte - Oeste

Na Europa
Antler-Late Devonian/Early Mississippian Bretã (ciclo hercínico)
Sonoman-Permian/Triassic Palatina (ciclo hercínico)
Nevadan- Jurassic Neocimerica (ciclo alpino)
Sevier- Cretaceous Austriaca (ciclo alpino)
Laramide- Late Cretaceous/Early Tertiary Laramida
Pirenaica [Eocen-Oligoc.]

América do Norte - Leste/Sul

Orog. de "colisões"-Archean (até2,5 Ga)
Greenville-Proterozoic(1,2 - 1,0 Ga)
Pan-africana (fim do Proteroz.)
Assíntica (Limite Proter.-Cambr.
Taconic-Ordovician Tacónica (ciclo caledónico)
Acadian/Caledonian-Silurian/Devonian Ardénica (ciclo caledónico)
(ciclo hercínico)
Bretã
Alleghenian/Hercynian-Carboniferous Sudética-Carbon.inf. a med.
Saalica-Limite Carbon./Pérmico
Palatina - Final do Pérmico
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:34)
Resposta: São as sub-classes utilizadas na cartografia do Atlas do Ambiente Digital e, até ao momento, não encontrei forma de poder “equiparar” (se é que é possível!!!) com a classificação utilizada para os solos do sul de Portugal, em CARDOSO (1965).

Tiago Sousa

Contribuição 1

A carta incluída no Atlas do Ambiente é a seguinte: Cardoso, J.C.;Bessa, M.T. & Marado, M.B. (1973). Carta dos solos de Portugal (1:1000000), cuja memória descritiva foi publicada, com essa data, em: Sep. de Agronomia Lusitana, 33(1-4) pp 481-602.
Esta publicação existe cá na Biblioteca do ISA. Para obter alguma informação sobre as características dos solos, só mesmo consultando essa publicação. Chamo a atenção, porém, para o facto de que os critérios taxonómicos adoptados nessa carta se referem a uma das primeiras versões da Classificação dos Solos do Mundo da FAO/UNESCO (que entretanto sofreu diversas alterações) e que, portanto, é uma classificação de carácter bastante geral, pelo que as características específicas dos solos poderão variar muito no interior de cada agrupamento.

No que se refere a "equiparações", elas não são peremptórias, nem tão pouco biunívocas, pois as bases e pressupostos de classificação são diferentes. Em todo o caso, é possível estabelecer uma série de equivalências gerais, que eu julgo que estarão referidas na publicação que citei, até porque um dos seus autores é precisamente J. Carvalho Cardoso, que é também o "pai" da classificação dita portuguesa que foi aplicada aos solos do sul de Portugal em 1965.

Caso essas equivalências não estejam lá, de facto, estabelecidas, poderei, mais tarde, dar mais umas dicas sobre isso!

Nuno Cortez
Instituto Superior de Agronomia, Dep. Ciências do Ambiente
e-mail nunocortez@isa.utl.pt

Contribuição 2

Caso pretenda saber mais acerca da classificação de solos patente no Atlas do Ambiente, sugiro-lhe que siga este link:

http://www.fao.org/DOCREP/003/Y1899E/Y1899E00.HTM

Trata-se das Unidades Pedológicas estabelecidas segundo o esquema da FAO para a Carta dos Solos da Europa.

Alexandra Teixeira Cardoso, Geóloga
Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente

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Cambissolos calcicos
Cambissolos cromicos calcarios
Cambissolos cromicos calcarios verticos
Cambissolos districos
Cambissolos eutricos
Cambissolos humicos
Litossolos eutricos
Luvissolos calcicos verticos
Luvissolos ferricos
Luvissolos gleizados
Luvissolos gleizados albicos
Luvissolos orticos
Luvissolos plintiticos
Luvissolos rodocromicos
Luvissolos rodocromicos calcicos
Luvissolos rodocromicos calcicos verticos
Luvissolos verticos
Planossolos eutricos
Podzois orticos
Regossolos eutricos
Solonchaks gleizados
Vertissolos cromicos
Vertissolos cromicos calcarios
Vertissolos pelicos
Vertissolos pelicos calcarios
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:25)
Resposta: Uma rocha possui textura afanítica quando não se conseguem identificar os seus minerais a olho nú devido à sua pequena dimensão. No caso de um filão muito alterado o que pode acontecer é que esta alteração modifique completamente a textura inicial da rocha presente no filão (normalmente provocando a formação de minerais de argila e óxidos de ferro). No entanto, parece-me que não se deve utilizar o termo afanítico para descrever a textura do filão alterado, a menos que seja esta a textura da rocha inicial que ainda seja possivel identificar em partes menos alteradas do filão. A origem basáltica do filão só se pode comprovar se ainda for possivel observar a natureza basáltica da rocha que preencheu o filão. Como tal normalmente não é possível, utiliza-se uma designação mais genérica - filões de rocha básica.

José Brilha (jbrilha@dct.uminho.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:40)
Resposta: Eu sei que este tipo de erosão actua quando há uma alteração do nível de base e que também é responsável pelo recuo dos rápidos e das cataratas mas será que quando o rio escava o seu leito, na fase de juventude, este é o único tipo de erosão que actua? Como é que o rio regula o seu perfil de equilíbrio? Somente por erosão regressiva? E esta erosão regressiva estende-se a todos os sectores de rio ou só existe no curso superior?
Já agora, a velocidade da corrente é maior no curso superior, sendo esta a razão para os materiais encontrados neste troço dos rios serem de maior calibre? Faço esta pergunta porque vi um gráfico, num manual escolar, que relacionava a velocidade da corrente com a descarga (ou débito) e que apresentava um valor superior para a velocidade da corrente no curso inferior do rio. Desde já agradeço a resposta a estas minhas dúvidas.
Por último, gostaria de dar os meus parabéns aos mentores deste projecto porque se revela de grande utilidade no esclarecimento de aspectos que os livros não aprofundam ou tratam, por vezes, de forma algo duvidosa.
Nelson Pereira

Muito sinteticamente (porque há capítulos inteiros de livros sobre isso...):
  1. A erosão regressiva actua a montante, no sentido de recuar as zonas de cabeceira. Mas o próprio leito vai sendo escavado, "verticalmente", se não em todo o troço do rio, pelo menos nas áreas de cabeceira e intermédias (as áreas a jusante são essencialmente de sedimentação).
  2. A procura do perfil de equilíbrio faz-se exactamente por essa via: aprofundamento em grande parte do leito, sendo esse aprofundamento maior a montante e menor a jusante. Por isso o declive geral do rio diminui (basta fazer um esquema: traçar o perfil de um rio e "escavá-lo" mais a montante que a jusante, progressivamente, e ver o que acontece no desenho).
  3. A dimensão dos clastos depositados (que são exactamente e LaPalissemente aqueles que o rio já não consegue transportar mais...) é função da competência do rio, o que não depende estritamente da velocidade. O que se passa é que ao longo do rio o declive diminui (embora o caudal aumente...) e por isso a capacidade de transporte também diminui.
Espero ter dado algumas achegas gerais e básicas, suficientes para poder raciocinar no assunto. Detalhes mais específicos poderão ser encontrados em livros da especialidade.

Nuno Pimentel
GeoFCUL - Dep. Geologia da Fac. Ciências, Univ. Lisboa
CeGUL - Centro de Geologia da Universidade de Lisboa
pimentel@fc.ul.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:14)
Resposta: Bruno Fernandes

O termo Kolmatito parece-me que não existe, a não ser que seja uma rocha que vá kolmatar vazios deixados por outras. sorriso
O que me parece mais próximo é Komatiito (traduzindo directamente do termo inglês Komatiite). É uma rocha vulcânica ultramáfica que cristaliza a partir de magmas de alta temperatura com 18-32% de MgO. É composta por olivina, piroxena e alguma cromite numa matriz vítrea. Forma muitas vezes pillow-lavas e desenvolve textura spinifex.

Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa (jars@helios.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:38)
Resposta: Ricardo Carvalhido, Sónia Ferreira e Elisabete Ribeiro

Contribuição 1

Gaspar and Inverno, 2000. Economic Geology, Vol95, 1259-1276

Daniel P. S. de Oliveira MSc (Witwatersrand)
Instituto Geológico e Mineiro

Contribuição 2

Experimentem este site:
http://www.wsu.edu:8080/~meinert/skarnHP.html
Usei-o para um trabalho de uma cadeira da parte curricular do mestrado e foi-me bastante útil! Espero que também o seja para vocês...
Boa sorte! sorriso*

Rita Martins
Instituto Geológico e Mineiro

Contribuição 3

Aqui vai um site só sobre skarns:
http://www.wsu.edu/~meinert/aboutskarn.html
Bom trabalho.

Paulo José A. Bravo A. Silva
Instituto Geológico e Mineiro
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:57)
Resposta: E também sobre a lei da constância dos ângulos interfaciais de um cristal.
Paula Eduarda Matos Neto

1. Gostava de saber tudo o que me possa informar sobre a formação de cristais.

A questão é muito vaga.
Procurando ajudar pode-se dizer que a matéria cristalina se pode formar, fundamentalmente, por 3 processos de cristalização:
-a partir de uma solução
-a partir de uma substância fundida
-a partir de um gás

A cristalização a partir de uma solução pode efectuar-se por evaporação lenta e gradual de soluções sobressaturadas, quer por diminuição da temperatura, quer por diminuição da pressão.
A partir de uma substância fundida também se pode dar Cristalização. Quando um magma arrefece os diferentes iões são atraídos uns pelos outros formando "núcleos cristalinos" dos diferentes minerais. A cristalização efectua-se pelo acarreio de iões, nas mesmas proporções em que formam as partículas constituintes da rocha sólida resultante.
A terceira forma de cristalização, a partir de um gás ou vapor, é menos frequente que as anteriores embora os princípios fundamentais sejam idênticos. Os átomos dos elementos dissociados agrupam-se lentamente quando se dá o arrefecimento de um gás, até formar um sólido com uma estrutura cristalina bem definida. Como exemplo deste modo de cristalização temos os cristais de enxofre que se formam por arrefecimento das fumarolas vulcânicas e vapores carregados de S (enxofre), nas regiões vulcânicas.

2. E também sobre a lei da constância dos ângulos interfaciais de um cristal.

A estrutura interna de qualquer substância cristalina é constante e está relacionada com as faces do cristal . A lei da constância dos ângulos ou lei de Romeu de l'Isle* traduz esta ideia ao afirmar que "em todos os cristais de uma mesma substância os ângulos formados por faces correspondentes no cristal são sempre os mesmos".
Este facto é importante em cristalografia pois permite identificar minerais pela medição de ângulos entre faces características nos cristais. Por exemplo: um cristal pode aparecer distorcido, isto é, com um desigual desenvolvimento de faces, mas os ângulos interfaciais correspondentes são sempre os mesmos.

*A lei da constância dos ângulos ou lei de Romeu de l'Isle (1736-1790) teve como base deducões de Niels Stenon Nicolaus (1638-1686) e Domenico Guglielmini (1655-1710) que levaram à sua descoberta.

Com os melhores geocumprimentos,
Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa

N

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:49)
Resposta:

Contribuição 1

Peneplanicie - superfície hipotética para a qual as figuras da paisagem são reduzidas através de continua erosão fluvial e por deslocação de massas rochosas e de solo (mass wasting). Pediplanície - superfície degradacional formada junto ao sopé de relevos importantes, produzida em climas áridos. Esta pode estar quer exposta a superfícies, quer coberta por aluviões contemporâneos.
Tiago Alves (talves@fs1.ge.man.ac.uk)

Contribuição 2

Vão aqui moradas electrónicas de glossários de geologia e geomorfologia que podem ajudar a algumas questões:
http://www.geology.iastate.edu/new_100/glossary.html
http://www.geologylink.com/glossary/
http://www.geog.ouc.bc.ca/physgeog/physgeoglos/glossary.html
http://main.amu.edu.pl/~sgp/gw/gw1.htm
Isabelle Sacramento Grilo (isacrame@sciences.sdsu.edu)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:51)
Resposta: Obrigado

Em resposta à questão colocada, posso procurar esclarecer alguns aspectos:
  1. As areias de praia e de duna têm características bastante distintas, em resultado dos processos físicos e químicos que presidiraam ao seu transporte e deposição.
  2. Ao nível dos grãos individuais, é de esperar que as areias de praia sejam roladas ou sub-roladas e com superfície brilhante (em parte devido à acção química da água do mar); a areia pode ser mais ou menos grosseira (depende da energia da praia) e a calibragem do conjunto deve ser boa a moderada, podendo ser abundantes os bioclastos, além do quartzo predominante. Nas areias de Duna, os grãos são em geral também rolados, mas a superficie apresenta-se baça ou picotada (deviddo ao choque entre os grãos), sendo a areia não grosseira e a calibragem do conjunto sempre boa (quase só quartzo).
  3. Estas características-padrão podem ser um pouco modificadas, em função da proveniência dos grãos, ou seja, do local ou ambiente de onde provêm e do tempo que tiveram para evoluir no novo ambiente. Assim, um rio que lance abundantes areias num litoral irá gerar areias de praia com características (ainda) fluviais (grãos sub-angulosos, pouco brilhantes, pouco calibrados, com grãos de naturezas variadas (feldspatos, micas, litoclastos) se não houver tempo suficiente para elas evoluirem na praia. De igual modo, é frequente as areias de dunas litorais provirem da praia adjacente, podendo apenas alguns grãos ter adquirido as novas características tipicamente eólicas.
  4. Em relação ao cimento de um arenito, frequentemente ele é diagenético e por isso não será distintivo entre areias de praia e de duna. Em ambos os caso é frequente o cimento carbonatado, podendo haver ou não porosidade.
  5. Ao nível do afloramente e das estruturas observáveis, um arenito de praia pode ter laminações horizontais ou de baixo ângulo, por vezes marcadas por níveis de Minerais Pesados (negros). Poderá eventualmente haver laminações com 2 sentidos contrários, correspondentes à enchente e vazante. Os arenitos dunares distinguem-se por apresentar feixes mais espessos (até 1 ou 2 metros) com lâminas de maior dimensão e também com ângulos maiores (podendo ultrapassar os 20 ou 30 graus); em geral as direcções de inclinação variáveis mas dificilmente variam de 180 graus (direcções dos ventos dominantes).
  6. Um último factor distintivo pode ser a existência de marcas orgânicas. Nas areias de praia pode haver bioturbação sub-aquática por invertebrados, enquanto nas areias de duna podem existir marcas de raízes (rizoconcreções) e paleosolos (níveis vermelhos ou negros de vido à exposição sub-aérea.
  7. Finalmente, em relação ao Mioceínico de Carcavelos, há numerosos trabalhos escolares feitos na disciplina de Paleontologia no Dep. de Geologia da F.C.U.L. (orient. dos Profs. Mário Cachão e Marques da Silva), que poderão ajudar a compreender os ambientes então existentes.
Espero que estas notas gerais ajudem a esclarecer a questão colocada. Outras indicações mais detalhadas podem ser encontradas nos muitos livros de texto de Sedimentologia, infelizmente a quase totalidade em inglês.

Nuno Pimentel
GeoFCUL - Dep. Geologia da Fac. Ciências, Univ. Lisboa (Pimentel@fc.ul.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:07)
Resposta:

Contribuição 1

Hadean = Hadeano
Archaean = Arcaico (ou Arqueozóico)
Proterozoico = Proterozóico
Vendian = Vendiano

Não sei se em outras universidades portuguesas (segundo outras lógicas de aportuguesamento) utilizam estes termos com estas grafias ou se adoptaram outros.

Espero ter esclarecido as vossas dúvidas.

Carlos Marques da Silva (Paleo.Carlos@fc.ul.pt) :

Contribuição 2

Hadean: Hadaico
Archaean: Arcaico
Proterozoico: Proterozóico
Vendian : Vendiano - subdivisão geocronométrica do Precâmbrico, abrangendo o intervalo de tempo entre os 610 e os 570 Ma(milhões de anos).

Podem consultar uma tabela cronostratigrafica em http://www.dct.fct.unl.pt/GEOPOR/GPdiv/HTerra.JPG

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt ):

O

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:03)
Resposta: O conceito de fóssil vivo é problemático, senão contraditório! Se são vivos... não são fósseis!
São disso exemplo as bactérias contemporâneas da génese dos petróleos onde são encontradas.

O conceito refere-se a seres que ainda hoje existem e quase nada evoluiram em relação a formas idênticas conhecidas no registo fóssil (por exemplo, desde o Paleozóico - 248 a 540 Ma). Neste sentido podem ser considerados formas relíquia:
  1. Ginkgo biloba (àrvore), conhecida desde o Devónico (< 440 Ma);
  2. Lingula (braquiópode), conhecido desde o Ordovícico (< 495 Ma);
  3. Coelacanthus (peixe), conhecido fóssil desde o Devónico ao Cretácico; contudo, no século passado (1938) foram pescadas nas costas da África do Sul formas muito semelhantes que receberam o nome de Latimeria n. gen. em virtude do maior porte e peso bem como regrssão da ossificação.
Sobre esta questão escreveu um aluno (João Pedro Soares Fernandes/UNL) num trabalho de Paleontologia:

"Existem hoje na Terra animais que conseguiram permanecer imutáveis ao longo de centenas de milhões de anos, resistindo a extinções em massa, a inúmeros estímulos agressivos do meio e pondo mesmo em causa várias teorias da evolução. O nautilus, o tuatara, os celacantes, os peixes pulmonados... todos eles resistiram à mudança, aparentemente uma característica da vida, e continuam a viver do mesmo modo desde tempos ancestrais. Certos autores afirmam que muitos destes fósseis vivos habitam ambientes marinhos profundos (como é o caso do nautilus, do celacante e da neopilina), sujeitos a alterações mínimas no decurso do tempo. Mas como explicar a situação do tuatara, de diversas libelinhas, do ornitorrinco, dos onicoforados e de diversos peixes actinopterígeos que não se encontram nestas situações? Terão de ser repensados os processos que servem de motor à evolução... ou a excepção fará a regra?

Serão os fósseis vivos falhas da Natureza (ou falhas na concepção feita pelo homem)... ou prova da sua inteligência? E isto não seria o mesmo que perguntar: Será a bicicleta uma falha do intelecto humano... ou prova da sua inteligência, ocupando o seu devido lugar no panorama criativo humano? Será que a bicicleta é um "fóssil vivo" em relação à mota?"

Pontos de partida para pesquisa na internet:
http://www.newcreationism.org/StasisList.html
http://www.ucmp.berkeley.edu/vertebrates/coelecanth/coelecanths.html

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:46)
Resposta: Um vale tifónico é um vale associado a uma estrutura diapírica. Designa os vales situados no interior de diapiros extruídos à superfície, formados pela erosão diferencial entre os bordos, normalmente constituídos por rochas resistentes à erosão (ex: calcários), e o seu núcleo, normalmente constituído por rochas friáveis ou facilmente solúveis (ex: argilas, argilas evaporíticas, evaporitos). Este termos expressa um conceito geomorfológico e não estrutural. O termo foi criado pelo geólogo suíço Paul Choffat (final do século passado - início deste século) ("vallé typhonique") que deu um contributo extraordinário para a geologia portuguesa. A palavra tifónico está etimologicamente ligada à divindade egípcia das profundezas, chamada Tuphon (do grego).
José Carlos Kullberg (jck@fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:45)
Resposta:

Contribuição 1

Conjunto de serras que ocupa uma posição central no território nacional. O soerguimento da Cordilheira Central Portuguesa fez-se, provavelmente, desde meados do Tortoniano (ca 9.5 Ma) até à actualidade, em sucessivas fases tectónicas.
Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt) & P. Proença e Cunha (pcunha@ci.uc.pt)

Contribuição 2

Quanto à Cordilheira Central, creio útil acrescentar que é um sistema montanhoso que tem a sua continuação para Espanha (onde tem a designação de Sistema Central). É um conjunto de relevos alongados segundo ENE-WSW, constituídos por blocos ("horsts") de terrenos paleozóicos. Em Espanha inclui as Serras de Guadarrama e de Gredos, e em Portugal inclui as Serras da Estrela, Gardunha e Lousã. Para SW parece ligar-se morfológicamente às Serras do Maciço Calcário Estremenho (Aire, Candeeiros, Montejunto), o que poderá corresponder à presença de idênticos "horsts" sob a cobertura mesozóica.
Nuno Pimentel - pimentel@fc.ul.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:44)
Resposta:

Contribuição 1

http://www.dct.fct.unl.pt/GGeo/GG1534-1571.html#1547

Diz-se do processo geológico ou do efeito que acontece à superfície terrestre ou próximo dela.

Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt) & P. Proença e Cunha (pcunha@ci.uc.pt)

Contribuição 2

A definição dada para EPIGÉNICO, e que está no léxico para que se remete, parece-me vaga. Isto apesar de ser a tradução literal da que está no dicionário geológico de bolso da Penguin (Whitten & Brooks). A definição apresentada aplicar-se-ia sim correctamente e etimologicamente a "exógeno". Aliás, vale epigénico está bem definido logo a seguir, e não faria sentido que fosse apenas "vale que se forma à superfície da terra", o que seria uma redundância ou quase um pleonasmo. EPI significa sobre (vd. epicentro, sobre o centro; epifauna, sobre outro organismo; epitaxial, sobre outro cristal). Assim sendo, epigenetico significa literalmente que se gera sobre algo (já existente no espaço ou no tempo), e não à superfície, da Terra neste caso. Em conclusão, creio que o significado para o adjectivo "epigenético" ou "epigénico" deve ser dado em função do substantivo a que se aplica, sob risco de termos uma definição tão genérica ou dúbia que depois não se pode aplicar ao substantivo em questão (como no caso acima referido, do VALE EPIGÉNICO).

Nuno Pimentel - pimentel@fc.ul.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:17)
Resposta: O que são complexos subvulcânicos?
Li que os pequenos maciços de Sintra, Sines e Monchique constituem três estruturas subvulcânicas, casos particulares da geologia portuguesa. Também sei que aqueles três maciços de idade alpina estão relacionados com a formação de caldeiras subterrâneas. Porquê? Estou um pouco confusa em relação a este assunto, poderão esclarecer-me?

Subvulcanismo é um domínio de formação de rochas ígneas (hipabissais) a profundidades relativamente pequenas na terra (Hipabissal=Subvulcânico).

"Ring dike" ou dique circular é a designação atribuída a intrusão magmática que se instala em fracturas de contorno mais ou menos circular, podendo em alguns casos, limitar uma bacia de subsidência.

Complexo subvulcânico será um complexo de rochas ígneas formado num domínio subvulcânico.

Caldeira: cratera, em geral de grandes dimensões, formada pelo colapso ou subsidência da parte central de um edifício vulcânico.
(O que é, para si, uma caldeira subterrânea?)

Soleira, dique, lacólito são alguns dos modos de jazida das rochas ígneas.

* Soleira, sill ou filão camada é um filão em que a intrusão magmática se deu ao longo dos planos de estratificação dando origem a uma massa tabular de faces paralelas aos estratos encaixantes.
* Dique: filão vertical
* Lacólito: intrusão lenticular plano-convexa ou biconvexa em que se admite que o magma seguiu inicialmente um plano de estratificação tendo posteriormente provocado o encurvamento do tecto.

Relativamente aos Maciços de Sines, Sintra e Monchique são, sem dúvida, muito importantes no contexto da geologia portuguesa. De modo muito resumido e citando, a título de exemplo, alguns autores:

Segundo ROCK (1983) o Maciço de Monchique talvez seja um facólito ou lacólito subvulcânico. Segundo TEIXEIRA (1962, 1980) o Maciço de Sintra tem estrutura anelar subvulcânica (tipo "ring dike"). Segundo CANILHO (1972), TEIXEIRA (1980) o Maciço de Sines tem estrutura anelar subvulcânica.

Os 3 maciços são atribuídos, de modo geral, ao final do Cretácico estando, mais uma vez a título de exemplo, datados:
-Maciço de Monchique (72 Ma, segundo ROCK (1983))
-Maciço de Sines (67-78 Ma, segundo CANILHO (1972))
-Maciço de Sintra (95,3±8 Ma, segundo ABRANCHES & CANILHO (1980))

Segundo COELHO (1974) os 3 maciços estariam integrados no mesmo processo tectónico-magmático relacionado com a abertura do Atlântico norte, formação de "rifts" e abertura do Golfo da Biscaia. Mais informaçÑo sobre datação e génese dos 3 maciços pode também ser obtida, por exemplo, em AIRES-BARROS (1979), MENDES (1967-68), GONÇALVES (1967) e em muitos outros trabalhos de vários autores. A lista de trabalhos referenciados não é de modo nenhum exaustiva. Foram aqueles que, na tentativa de dar resposta breve à Carolina, me estavam mais acessíveis.

Esperando ter contribuído para o esclarecimento da geo-dúvida,

Geocumprimentos,
J.Simão jars@helios.si.fct.unl.pt
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REFERÊNCIAS

ABRANCHES, M.C.B. & CANILHO, M.H. (1980)- Estudo de geocronologia e geologia isotópica, pelo método do rubídio-estrôncio, dos três maciços mesozóicos portugueses: Sintra, Sines e Monchique. Bol. Soc. Geol. Portugal, Lisboa, vol. XXII, pp. 385-390.

AIRES-BARROS, L. (1979)- Actividade ígnea pós-paleozóica no continente português (elementos para uma síntese crítica). Ciências da Terra, UNL, vol. 5, pp. 175-214.

CANILHO, M.H. (1972)- Estudo geológico-petrográfico do maciço eruptivo de Sines. Bol. Mus. Lab. Min. Geol. Fac. Ciên. Univ. Lisboa, vol 12(2).

COELHO, A.V.P. (1974)- Téctónica comum na génese dos maciços de Sintra, Sines e Monchique. Nota prévia. Bol. Soc. Geol. Portugal, Lisboa, vol. XIX(II), pp. 81-90.

GONÇALVES, F. (1967): Subsídios para o conhecimento geológico do maciço eruptivo de Monchique. Comun. Serv. Geol. Portugal, Lisboa, Tomo LII, pp 169-184.

GONÇALVES, F. & TEIXEIRA, C. (1980)- Introdução à Geologia de Portugal. I.N.I.C., Lisboa, 475 pp.

MENDES, F. (1967-68): Contribuition à l´étude géochronologique, par la méthode du strontion, des formations cristallines du Portugal. Bol. Mus. Lab. Min. Geol. Fac. Ciên. Univ. Lisboa, vol 11(1), 155 pp.

ROCK, N.M.S. (1983): Alguns aspectos geológicos, petrológicos e geoquímicos do complexo eruptivo de Monchique. Comun. Serv. Geol. Portugal, Lisboa, tomo 69 (2), pp.325-369.

TEIXEIRA, C. (1962)- La structure annulaire subvolcanique des massifs éruptifs de Sintra, Sines et Monchique. Estudos científicos oferecidos em homenagem ao Prof. Doutor J. Carrington da Costa, J.I.C.U., Lisboa, pp. 461-493.

P

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:48)
Resposta: Carolina dos Santos

No papel de probabilidades o espaçamento é grande nos valores percentuais mais baixos diminuindo até os 50% e a partir daqui tem uma distribuição simétrica.
Ora esta característica permite expandir os extremos da distribuição. Isto tem vantagens na identificação do comportamento das sub-populações que constituem as caudas das distribuições granulométricas, importantes para as interpretações relativas à dinâmica do fluxo responsável pelo transporte/deposição das partículas do sedimento em estudo.
Há vários parâmetros (por exemplo o 1º percentil) que se situam nestes extremos.

Por outro lado para quem utiliza os parâmetros estatísticos de Folk e Ward, ou outros igualmente obtidos por métodos gráficos, esta representação expandida da curva de distribuição acumulada nas porções mais significativas (sob o ponto de vista sedimentológico) permite diminuir o "erro" de leitura dos valores a partir da curva.

Já agora não esquecer que, utilizando os diâmetros classificados em unidades Fi:
  1. a curva de frequência cumulativa duma distribuição lognormal representada em papel de probabilidades é uma recta em vez da forma em "S" comum quando se usa uma escala aritmética vertical;
  2. a forma das curvas de sedimentos resultam dos processos geradores desses materiais e da disponibilidade de partículas de várias dimensões na fonte de origem;
  3. na maioria dos casos pode-se decompor a curva em segmentos de recta representando sub-populações de partículas que foram sujeitas a vários tipos de transporte (observar a decomposição da curva (Visher 1969)
Espero que tenha ficado mais esclarecida.
Cump.
Isabel Caetano Alves icaetano@dct.uminho.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:49)
Resposta: Após algumas buscas na web, encontrei uma representação que me parece bastante actual http://www.dct.fct.unl.pt/GEOPOR/GPdiv/HTerra.JPG. Porém, tenho dúvidas acerca da definição da data de transição entre o Hadaico e o Arcaico. É este diagrama coincidente com a representação maioritariamente aceite pelos geólogos portugueses?
Osvaldo Brasão

Nas tabelas internacionais o limite entre o Hadaico e o Arcaico é feito aos 3800 Ma (ver Harland, W.B et al. (1990) - A geologic time scale. Cambridge University Press, 163p).
Em Portugal não existem rochas tão antigas, por isso não creio que os geólogos portugueses se possam manifestar e discordar do valor aceite internacionalmente.

João Pais (DCT/UNL)
http://www.dct.fct.unl.pt/
http://www.dct.fct.unl.pt/JPais/JPDCT.html

Q

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:44)
Resposta:

Não existem rias actualmente em Portugal. Os ambientes de ria mais próximos situam-se no litoral galego. Alguns dos nossos sistemas lagunares e estuarinos (Lagoa de Albufeira e Melides, por exemplo) já foram, num passado recente (após 10 000 e até há cerca de 6000-5000 BP) rias.

Conceição Freitas
Univ. de Lisboa


Palavra(s) chave:
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:00)
Resposta: Quanto a "oncóides" e "oncólitos"... referem-se a clastos esféricos, até 5-6 cm de diâmetro, formados por acreção de material sedimentar em torno de um grão, por acção de cianobactérias. Diferem dos oólitos pelo tamanho e pela origem relacionada com actividade biológica. Consulte esta página:
http://www.es.mq.edu.au/courses/GEOS260/carbonclass.htm

Aqui pode ver a imagem de um oncóide:
http://www.desertfishes.org/cuatroc/orgs/stromato/oncoid.jpg

Quanto às diferenças e semelhanças... creio que oncóide é a designação da estrutura original formada pelas cianobactérias; oncólitos serão restos ou fragmentos de oncóides que se encontram incluídos num determinado estrato ou camada sedimentar...
(Se algum colega mais especializado nestes domínios quiser acrescentar ou corrigir algo... esteja à vontade!)

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:05)
Resposta: O termo palinologia foi criado por Hyde & Williams (1944 in Tschudy & Scott 1969) para designar o estudo de pólenes e esporos (fósseis e actuais). Grande parte dos palinólogos utilizam-no para designar o estudo de palinomorfos encontrados nas rochas sedimentares.

A palinologia constitui uma sub-divisão da paleobotânica, sendo o seu estudo facilitado por quatro características que os pólenes e esporos possuem (Tschudy e Scott 1969):
  • a grande resistência à degradação, o que facilita a preservação como fósseis;
  • as dimensões (normalmente inferiores a 150 micra), as quais possibilitam o transporte e a deposição em conjunto com sedimentos finos;
  • a complexidade morfológica, o que permite distinguir e caracterizar diferentes formas;
  • e a produção em elevado número, o que facilita a recolha e o estabelecimento de estudos estatísticos significativos.
Os palinomorfos representam partes preservadas de vários organismos ou estruturas orgânicas, com dimensões variando entre 10 e 500 micra. Nos palinomorfos são incluídos esporos, pólenes, microorganismos planctónicos e bentónicos com carapaça não mineralizada (dinoflagelados, quitinozoários, acritarcas). Muitos palinomorfos, especialmente pólenes, esporos e dinoflagelados, tendem a ser mais abundantes que outros fósseis. A esporopolenina, principal componente das paredes dos palinomorfos é provavelmente um dos compostos orgânicos mais inertes quimicamente.

A palinologia é importante para a Estratigrafia na medida que dá indicações acerca da idade relativa (tempo geológico) dos sedimentos e permite caracterizar os ambientes (temperatura, humidade, marinho/continental), em que se formaram os sedimentos que contém os palinomorfos:
  • os esporos e pólenes permitem-nos conhecer a evolução da vegetação na Terra (últimos 420 milhões de anos);
  • os microorganismos (foraminíferos, dinoflagelados, quitinozoários) planctónicos (que flutuam) e/ou bentónicos (que vivem junto ou enterrados nos fundos) dão-nos indicações acerca da idade relativa dos sedimentos e permitem estimar a profundidade, temperatura, luminosidade e salinidade das águas dos mares (e/ou lagos) em que viveram.
Assim, a palinologia ajuda-nos a conhecer melhor a evolução do planeta Terra, principalmente no que diz respeito à geografia e climas.

Lígia Sousa ls@mail.fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:18)
Resposta: Os granitos formam-se no interior da crusta a profundidades intermédias.

Durante a fase de arrefecimento, a rocha forma-se sob determinadas condições de pressão hidrostática (proveniente da carga do material sobrejacente), diferentes das condições normais de pressão existentes à superfície (1 atmosfera).

Quando o material sobrejacente é erodido e o granito fica, assim, próximo da superfície, ou mesmo exposto, as tensões existentes nos maciços tendem a libertar-se. Devido a essa libertação de tensões, formam-se diaclases, em particular as subhorizontais; a acompanhar esta família, geram-se geralmente outras duas, subverticais e, portanto, três famílias subperpendiculares entre si.

José Kullberg jck@fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:07)
Resposta: As características morfológicas dos seres vivos resultam de adaptações dos seus organismos às condições físico-químicas dos ambientes em que vivem, ou explicam-se pela sua função (protecção contra predadores, defesa contra factores físicos ou químicos desfavoráveis, promover/facilitar a reprodução, etc).

Relativamente às carapacas dos foraminíferos passa-se o mesmo. As formas planctónicas desenvolvem carapaças com câmaras globosas pois estas facilitam a flutuação. No caso dos bentónicos, se o substracto for arenoso e houver um forte acarreio de partículas detríticas, então, predominam carapaças de tipo aglutinado, isto é, construídas pela aglutinação através de um cimento orgânico de partículas que constituem o substracto.

Por vezes, variações na intensidade da ornamentação (nódulos, espinhas, costilhas, rugosidades, etc.) e porosidade das conchas parecem justificar-se com variações de salinidade, temperatura e profundidade dos ambientes.

Modificações do sentido de enrolamento das carapaças, de certas espécies planctónicas, correlacionam-se com mudanças da temperatura das àguas do mar (periodos mais quentes/periodos mais frios).

Podem encontrar-se ainda, mais raramente, formas anormais ou aberrantes, de certas espécies, que se explicam pela ocorrência de condições ambientais muito desfavoráveis ("stress" ambiental).

Paulo Legoinha pal@mail.fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:32)
Resposta:

Contribuição 1

Estas informações podem ser obtidas junto da Divisão de Estatística ou do Depto. de Prospecção de Minerais não Metálicos do IGM.
Contactos:

Div. Estatística: tel. 353 75 96 (Sede - R. Almirante Barroso)
Depto. não Metálicos: tel: 471 89 22 (Centro de Dados - Alfragide)

Carlos Laiginhas (carlos.laiginhas@igm.pt)

Contribuição 2

Dados sobre exportação de granitos, referentes a 1996:

a) Granitos em bloco e serrados

Total 170.279 ton (3.451.444 contos), dos quais foram para a UE 133 390 ton (1.951.884 contos)

b) Granitos em obra

Total 31.339 ton (2.355.087 contos), dos quais foram para a UE 15 605 ton (1.808 031 contos)

c) Pedra para calcetamento

Total 417.169 ton (6.033.756 contos), dos quais para a UE foram 364.879 ton (5.178.704 contos)

A maior parte dos valores desta pedra para calcetamento é referente a granitos, mas não deverá ser esquecido também a exportação da pedra para calçada portuguesa (calcário).

Outros dados mais pormenorizados poderá obter no "Boletim de Minas" Vol. 34, nº 1, 1997.

Não existem leis específicas para a exportação de granitos, que se regula pela lei geral de movimentação de mercadorias na UE.

João Correia Marques (CTCV ) - Cmarques@ctcv.pt

Contribuição 3

Segundo a públicação do IGM com a informação estatística de 1986/1995 (rochas ornamentais), a Alemanha foi a país europeu com maior importação de granitos e rochas similares (43900 Toneladas), seguida da Espanha com 35600 Toneladas (dados de 1995).

Bem, quanto à legislação não consegui encontrar nada, mas acho que a colega se devia dirigir à Sede do IGM de forma a conseguir dados mais actualizados.

Sede do IGM: Rua Almirante Barroso, 38, 1000 LISBOA (à Estefânia)
telefone: 3537596 - fax: 3537709 - email: igmsede@igm.pt

Paulo Henriques (paulo.henriques@IGM.pt)

Contribuição 4

Talvez indo à pagina do Instituto Geológico e Mineiro http://www.igm.pt ....uma sugestão....duas questões:

Há listas de preços dos produtos derivados da exploraçao dos granitos? Alguém sabe quanto pode custar uma pedreira de granito não ornamental?

ACarvalho

Contribuição 5

Ver as páginas da internet do ICEP (www.icep.pt).

Domingos Rodrigues
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:30)
Resposta: Não consigo perceber se designamos de brecha uma rocha que se encontra mais ou menos esmagada, ou se nos referimos especificamente a uma rocha vulcanica ou sedimentar. Nota, a minha confusão gerou-se aquando de uma visita, relacionada com a cadeira de Geologia de Portugal em que visitamos a Praia Norte da Nazaré em que aflorava uma brecha e posteriormente aquando da visita do Vulcão da Papoa em que nos foi mostrada uma brecha vulcânica.

Contribuição 1

Brecha é utilizada com vários significados.
Pode ser:

  • brecha de falha- rocha que se encontra mais ou menos esmagada, na caixa de falha.
  • brecha sedimentar- rocha sedimentar detrítica, constituída por clastos angulosos a pouco rolados, de dimensão superior à da areia, agregados por matriz e/ou por cimento.
  • brecha vulcânica - equivalente à anterior, mas cujos clastos são pedaços de lava e poderão estar "mais ou menos agregados" por outros materiais sedimentares ou outros materiais lávicos (vidro vulcânico, outras escoadas, etc).

Isabel Caetano Alves (icaetano@dct.uminho.pt)
Universidade do Minho

Contribuição 2

Brecha é um termo genérico usado para referir rochas sedimentares ou eruptivas constituídas por fragmentos angulosos, de dimensão superior a 2 mm, unidos por um cimento.

Mas se consultar o "Glossário geológico - online" provalvelmente ficará admirada com a enorme variedade de brechas (e brechinhas!!) que existem, desde "brecha arenítica" até "brecha salífera" passando por "brecha caótica" e já
para não falar de "brechóide" ou "brechiforme"... :

http://www.dct.fct.unl.pt/GGeo/GG864-892.html#875
http://www.dct.fct.unl.pt/GGeo/GG893-928.html

Brecha de ossos:
Camada sedimentar, brechóide, devido à abundância de fragmentos ósseos. O cimento detrítico, carbonatado e/ou argiloso é, em geral, fortemente fosfatado.

Brecha sedimentar:
Rocha sedimentar, grosseira, composta de fragmentos angulosos.

Brecha tectónica:
Brecha constituída por fragmentos angulosos e subangulosos, cimentados por matriz de elementos mais finos resultante da acção de forças tectónicas.

Brecha vulcânica:
Termo geral designativo de rocha constituída por fragmentos de rochas lávicas.
Há muitas variedades de brechas, a que compete uma nomenclatura variada.

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Universidade Nova de Lisboa
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:13)
Resposta: Tal como o nome indica é a deslocação da barra (como um corpo sedimentar) para uma nova posição, como resposta à movimentação dos sedimentos por efeito dum fluxo aquoso. Isto pode acontecer por alteração induzida no sentido do movimento da corrente, na sua velocidade, etc. Trata-se dum evento geológico de escala diferente daquela em que incluímos as transgressões e regressões.

Isabel Caetano Alves (icaetano@dct.uminho.pt)
Universidade do Minho
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:59)
Resposta: As rochas são formadas por cristais ou minerais ?
Fernando Alves

Contribuição 1

As rochas são associações naturais de minerais. Minerais, por sua vez, são substâncias naturais, com estrutura cristalina e com uma composição química bem definida. Os minerais podem ocorrer na Natureza em cristais isolados ou agregados. os cristais podem ser macroscópicos ou microscópicos, podem ser geometricamente perfeitos ou não apresentar nenhuma forma regular.
Isto é, um mineral é uma substância (com as características mencionadas) mas a forma como ocorre é em cristais (uma vez que possui uma estrutura cristalina).
De um modo muito simplista, podemos fazer a seguinte analogia: a madeira é uma substância que pode estar na forma de mesa, porta, cadeira, etc.

José B. R. Brilha
Departamento de Ciências da Terra

Contribuição 2

Vamos começar do princípio, ou seja, o que é um cristal e o que é um mineral:

Um cristal é uma porção de matéria cristalina limitada por faces naturais. Ou seja, para que uma determinada forma geométrica seja um cristal, é necessário que seja constituída por matéria cristalina e que as faces visíveis sejam naturais e não feitas pelo homem.

Quanto ao mineral, a questão é complexa. Isto é, existem diversas formas de definir um mineral, mas vamos pela chamada "definição intuitiva".

  1. É fora de questão que um mineral é uma substância natural. Isto exclui qualquer substância, cristalina ou não, feita pelo homem. Isto é, um diamante natural é um mineral, um diamante artificial não é.
  2. Um mineral, como "intuitivamente" se entende, é uma substância sólida. Notem que, no sentido restrito do termo, isto implica que tenha uma estrutura interna cristalina, pois, de acordo com a Física, uma substância amorfa não é mais do que um líquido extrememente viscoso (por exemplo, ao longo dos séculos verifica-se o "escorrimento" de vidros de janela - nos vitrais de igrejas da Idade Média, por exemplo).
  3. Derivado da anterior, um mineral é constituído por matéria cristalina.
  4. Um mineral tem composição química definida (pode, é certo, variar entre limites bem definidos). Isto por contraposição a uma composição química "fixa", que não admite variação. Como exemplo, temos a série das olivinas, p. ex., que variam continuamente entre dois limites perfeitamente definidos (a faialite e a forsterite).
  5. Um mineral tem génese inorgânica (temos de nos basear, de novo, no conceito "intuitivo" de mineral)
Temos, assim, em resumo, que um mineral é uma substância natural, sólida, cristalina, de génese inorgânica, e de composição química bem definida.

Assim, a resposta à questão é a de que um mineral pode, ou não, ter uma forma cristalina e um cristal pode, ou não, ser um mineral. (não podia ser mais ambíguo)

>As rochas são formadas por cristais ou minerais ?
As rochas são, na sua maioria, formadas por minerais, com várias excepções (por exemplo, vidros vulcânicos, ou rochas orgânicas)

Félix Mendes
Min. da Educação

Contribuição 3

Em relação à definição de mineral não será importante dizer que há minerais líquidos como o mercúrio, ou é errado? E que a estrutura interna cristalina não é mais que o arranjo "atómico" ´(ou iónico) ordenado? É que esta dúvida que foi posta é muito frequente entre alunos e até entre professores do secundário! Há manuais escolares que até dizem que a "textura" dos minerais, pode ser cristalina ou vítrea (vide manual da Porto Editora, 11º ano, versão de 1997).

Edite Bolacha
Prof.ª Ensino Secundário

Contribuição 4

Para criar alguma entropia aqui vão alguns conceitos:

Cristais e Minerais

Cristal (sentido lato) - qualquer porção de matéria cristalina, ou seja com estrutura interna ordenada (arranjo regular, periódico, dos átomos ou grupo de átomos que constituem determinada substância).

Cristal (sentido restrito) - porção de matéria cristalina que assumiu a forma de um poliedro (sólido geométrico), em consequência da sua estrutura interna ordenada.

Mineral - corpo sólido, natural e inorgânico, com uma estrutura interna cristalina, com composição química bem definida (fixa ou variável entre certos limites também bem definidos) e podendo assumir a forma de um poliedro
(cristal no seu sentido restrito).

Desta definição de mineral (que é bastante restritiva) citam-se alguns exemplos de possíveis exclusões:
1. mercúrio nativo - uma vez que não é sólido;
2. opala - uma vez que não tem estrutura interna cristalina mas sim amorfa, sendo classificada como um mineralóide;
3. pérola - uma vez que não é inorgânica mas sim produzida por um animal;
4. limonite - óxido de ferro hidratado sem estrutura interna cristalina;
5. âmbar - uma vez que não é inorgânico mas sim uma resina fóssil
produzida por gimnospérmicas.

E já agora fica para discussão: o Gelo - mineral ou não?

Rochas
As rochas podem ser constituídas por três grandes grupos de substâncias:
- matéria cristalina (que mais não é do que os minerais e que pela
definição acima são cristais no sentido lato do termo);
- matéria amorfa (matéria que não têm estrutura interna ordenada);
- matéria de origem orgânica (restos de organismos tais como os fósseis).

As rochas mais comuns serão aquelas que apenas são constituídas por matéria cristalina. Como exemplos podemos citar o Granito. Algumas rochas poderão apresentar apenas matéria amorfa. Como exemplo podemos citar os vidros vulcânicos. Outras terão parte de matéria amorfa e de matéria cristalina. Como exemplo podemos citar o basalto, rocha onde se distinguem alguns minerais (como a olivina e a piroxena) mas que também possui porções de matéria vítrea. Grande parte das rochas sedimentares, além de matéria cristalina, possuem na sua composição matéria de origem orgânica, são por excelência aquelas onde se podem encontrar fósseis (restos de conchas, carapaças, ossos, ovos, excrementos- também designados coprólitos, etc.). Como exemplos mais comuns podemos citar as margas ou os calcários. Algumas rochas são consideradas como tendo apenas matéria de origem orgânica (embora isto seja muito difícil de acontecer, uma vez que nas bacias de sedimentação tanto entra a matéria mineral como a matéria de origem orgânica). São vários os exemplos que podemos citar:
- os diatomitos - rochas constituídas, quase exclusivamente, por carapaças de diatomáceas;
- os carvões (lignite, carvão betuminoso e antracite) - rochas constituídas, quase exclusivamente, por restos de vegetais;
- os petróleos - rocha líquida constituída, quase esclusivamente, por matéria orgânica de origem planctónica.

E já agora fica para discussão:
1. a Turfa - rocha ou não?
2. a Areia - rocha ou não?

A. Guerner Dias
Univ. do Porto

Contribuição 5

> E já agora fica para discussão: o Gelo - mineral ou não?

O glossário da Julia Jackson, 4ª edição, do Instituto Geológico Americano diz o seguinte:

mineral:
a) a naturally occurring inorganic element or compound having a periodically repeating arrangement of atoms and characteristic chemical composition, resulting in distintive physical properties.

b) an element or chemical compound that is crystalline and that has formed as a result of geologic processes. Materials formed by geologic processes from artificial substances are no longer accepted (after 1995) as new minerals.
Mercury, a liquid, is a traditional exception to the cristallinity rule.
Water is not a mineral (although ice is), and crystalline biologic and artificial materials are not minerals.

c) any naturally formed inorganic material, i.e. a member of the mineral kingdom as opposed to the plant and animal kingdoms.

mineraloid - a naturally occuring, usually inorganic substance that is not considered to be a mineral because it is amorphous and thus lacks a periodically repeating arrangement of atoms. e.g. opal. Syn: gel mineral

> 1. a Turfa - rocha ou não?
Voto não, mas talvez esteja em vias de ser, sim.

> 2. a Areia - rocha ou não?
Que mais poderia ser? Um agregado mineral ? Mas se isto mesmo é a definição de rocha!! Por amor de Deus, não brinquem com as definições... que ainda (me) confundem os alunos.

A verdadeira questao é a de saber se a pedra do rim é um mineraloide... ou não?


>Edite Bolacha escreveu:
>Há manuais escolares que até dizem que a "textura" dos minerais, pode ser cristalina ou vítrea (vide manual da Porto Editora, 11º ano, versão de 1997).
Não é muito grave; cristalina (adjectivo) : transparente como cristal; límpida; clara.

No entanto seria conveniente evitar, dada a possível confusão com o termo "estrutura". Estrutura cristalina é o tal arranjo atómico que se repete periodicamente (e que para o cidadão comum nada tem de transparente, límpido ou claro - talvez por isso tanta confusão!). "Textura" e "Estrutura" não devem ser usados como sinónimos.

Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:35)
Resposta: Inês Pedro
E. S. de Oliveira do Bairro

Contribuição 1
(uma entre muitas possíveis definições):
Conjunto de materiais minerais e orgânicos que se encontram à superfície terrestre, resultantes da inter-acção da atmosfera, hidrosfera e biosfera com as rochas aflorantes. Esses materiais tendem a apresentar níveis horizontais (designados por "horizontes") com aumento do grau de transformação dos minerais e aumento da matéria orgânica, para o topo, desde a rocha sã até à superfície em contacto com a atmosfera.
Nuno Pimentel

GeoFCUL - Dep. Geologia da Fac. Ciências, Univ. Lisboa
CeGUL - Centro de Geologia da Universidade de Lisboa
E-mail: Pimentel@fc.ul.pt

Contribuição 2
O solo é o meio natural para o desenvolvimento das plantas, e geralmente forma-se acima das rochas devido em parte à erosão das mesmas ( produzindo argilas, por exemplo).
Também contém matéria orgânica ou humus (provinda do apodrecimento das plantas, animais e bactérias).

Isabelle SacramentoGrilo
Dept of Geological Sciences
San Diego State University
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:34)
Resposta: Inês Pedro
E. S. de Oliveira do Bairro

A diferença existe na maneira como ocorrem estes objectos relativamente à atmosfera da Terra. Realmente são todos feitos da mesma matéria: pedaços de rocha interplanetária (composta de carbono ou silicatos e metal) provindos da formação do sistema solar (4,6 biliões de anos atràs). O meteoróide, medindo cerca de 100 m ou menos de diametro, orbita o sistema solar sem necessáriamente entrar em contacto com a nossa atmosfera. O meteoro já entra em contacto com a atmosfera – é o que nós chamamos uma "estrela cadente", embora não seja estrela alguma. O que vemos é a fricção do ar contra o objecto que se aproxima a grande velocidade, produzindo calor e um flash de luz.
O meteorito, por seu turno, sobrevive, digamos, a passagem a alta temperatura pela atmosfera e despinha-se contra a superfície da terra, sendo agora uma rocha que se encontra na terra. Pode ser de diversos tamanhos, mas geralmente a atmosfera desfaz o objecto em pedaços mais pequenos do que o original.

Isabelle Sacramento Grilo
Dept of Geological Sciences
San Diego State University

R

Pergunta:
(Última edição: Quinta, 2 Outubro 2008, 05:26)
Resposta:

Contribuição 1

Algumas informações:
Não são fósseis muito frequentes, mas encontram-se por vezes bem conservados em camadas continentais desde o Devónico. Fósseis de formas actuais são conhecidos nos sedimentos de lagos e lagunas do Carbonífero. Gafanhotos, vespas e borboletas aparecem apenas no Jurássico. As térmitas e formigas só ocorrem desde o Terciário.

Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt)

Contribuição 2

Os Insectos derivam de um ramo de artrópodes chamado Uniramia. Os taxon Arthropoda é composto por 3 grandes grupos: Chelicerata (aranhas, merostomados e afins), Trilobita e Uniramia (crustáceos, diplopodes, quilopodes, Symphyla, insectos e afins).

Os artrópodes têm ancestrais comuns com os anelídeos, Onychophora e Tardigrada. Uma das ideias mais aceites é que os artrópodes descendem de anelídeos poliquetas ou dos seus ancestrais. O grupo actual mais próximo taxonomicamente com os insectos é o pequeno grupo dos Symphyla com cerca 160 espécies. Relativamente aos artrópodes os grupos mais aproximados são os Onychophora (com cerca de 65 espécies) e os Tardigrada (com cerca de 300 espécies).

Octávio Mateus (museulourinha@mail.telepac.pt)

Obrigado a todos os que me responderam sobre a evolução dos insectos. Se não é abusar dos vossos conhecimentos e simpatia ;), peguntava, se os artrópodes e anelídeos têm uma origem comum com os chordata, ou se divergiram antes se poderem chamar artropodes, anelídeos e chordata, e qual a sua relação com os outros filos (nematoda, platielmintes, etc).

Logicamente que todos os seres vivos têm, algures no processo evolutivo, um ancestral comum. A questão é: têm um ancestral comum recente?
Os artrópodes e anelídeos pouco ou nada têm relacionados com os cordados. Atenção que nós, humanos, somos cordados e de um grupo claramente distinto dos artrópodes. Os anelídeos e artrópodes são muito mais antigos e primitivos.

A maior parte dos invertebrados pertence ao grupo Protostomia enquanto que os equinodermes, hemicordados e cordados (dentro deste os vertebrados) pertençem aos Deutrostomia. A grande diferença é a estrutura citológida e histológica dos deutrostómios que possuem mesoderme derivada da epiderme, e no desenvolvimento embrionário na formação da mesma.

Resumindo, a separação entre Protostómios (artrópodes, anelídeos, nemátodes, platelmintes, etc.) e Deutrostómios (cordados e afins) deu-se logo no início da evolução animal no Pré-Câmbrico e Câmbrico, enquanto eram seres semelhantes a larvas. São animais bastante diferentes, quer na estrutura quer na taxonomia, e pouco têm em comum além de serem ambos celomados (taxon Coelomata).

Octávio Mateus (museulourinha@mail.telepac.pt)

S

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:26)
Resposta: Isto vem em sequência da leitura de um livro de texto para o 10º ano que fala em magma com origem na crosta continental.
Liliana Antunes

Os magmas podem ter origens diversas. Podem gerar-se por fusão de materiais do manto (magma mantélico, genericamente de composição básica) ou por fusão de materiais da crusta (magma crustal, essencialmente ácido a intermédio). Sugere-se a consulta da seguinte publicação:
WILSON M. (1989). Igneous Petrogenesis. Unwin Hyman.

Graciete Dias (Dep. de Ciências da Terra - Univ. do Minho)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:53)
Resposta: Maremoto é o mesmo fenómeno que "tsunami". Tsunami é uma palavra de origem japonesa.
Um maremoto (ou tsunami) é provocado por um sismo cujo epicentro se localiza no mar. Não é um sismo. É uma consequência de um sismo (submarino).

Aqui vão as definições pertinentes:

sismo
s. m. tremor de terra.

maremoto
s. m.(geog.) grande agitação das águas maritimas por vibrações sísmicas, erupções vulcânicas submarinas ou fenómenos de abatimento do fundo, que originam ondas solitárias; invasão da costa e do litoral pela onda solitária devastadora.

epicentro
s. m. (geog.) região da superfície terrestre, por cima do hipocentro, onde é máxima a intensidade de um abalo sísmico e onde este atingiu em primeiro lugar a superfície do solo.

hipocentro
s. m. região do interior da Terra onde se origina um sismo.

tsunami
s. m. (geog.) palavra japonesa que designa vaga alterosa provocada por um tremor de terra submarino, por uma erupção vulcânica ou por um tufão; maremoto.

--------------------
tsu·na·mi
Pronunciation: (t)su-'nä-mE
Function: noun
Inflected Form(s): plural tsunamis also tsunami
Etymology: Japanese, from "tsu"= harbor + "nami" wave
Date: 1897
: a great sea wave produced by submarine earth movement or volcanic eruption : TIDAL WAVE
- tsu·na·mic /-mik/ adjective
---------------------

Paulo Legoinha pal@mail.fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:52)
Resposta: Sou estudante de Eng. Quimica na Universidade Federal de Santa Catarina e venho por meio deste solicitar ajuda a uma pequisa que estou efetuando. Eu sei que para determinar a presença de matéria orgânica em argilas podemos efetuar uma combustão a seco, análise com água oxigenada e dicromato de potássio. Bem a pergunta é a seguinte : Existe um método mais atual para se fazer essa determinação?

Os métodos de determinação da matéria orgânica são vários:
  • combustão a seco a 450 °C - método pouco preciso; o que na verdade se está a determinar é a perda ao rubro;
  • digestão da mostra com peróxido de hidrogénio (matéria orgânica = diferença de peso entre a amostra antes e depois de ser tratada com H2O2) - permite determinar aproximadamente a matéria orgânica ; o problema é que o peróxido de hidrogénio "dissolve" não só a matéria orgânica, mas também todos os elementos que estejam ligados à matéria orgânica, por exemplo sob a forma de complexos organo-metálicos;
  • digestão da amostra com dicromato de potássio e doseamento do excesso de dicromato com sulfato ferroso amoniacal (sal de Mohr) - este método é bastante usado, por exemplo na análise da matéria orgânica em solos, sendo bastante rigoroso;
Maria Estela Rodrigues Martins mmartins@geo.ua.pt, mem@zeus.ci.ua.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:09)
Resposta:

Contribuição 1

Balanídeos são crustáceos que apresentam concha calcária no estado adulto. Fixam-se a rochas do fundo do mar ou a outros substratos. Caracterizam a fácies costeira (zona entre-marés). Algumas formas estão adaptados à vida recifal, outras podem fixar-se a baleias e tartarugas.

Paulo Legoinha pal@mail.fct.unl.pt

Contribuição 2

Por Sirénios designam-se os mamíferos marinhos pertencentes à ordem Sirenia, representada actualmente por 4 espécies (3 manatins e 1 dugongo). Outros nomes comuns utilizados são peixe-boi, vaca-marinha, etc.

O seu registo fóssil estende-se do Eocénico inferior à actualidade, tendo atingido uma maior diversidade como grupo durante o Miocénico (quando também ocorreram em Portugal).

Reconhecem-se afinidades com outras ordens actuais de mamíferos, nomeadamente os Proboscidea (elefantes) e Hyracoidea (daimões), sugerindo uma origem comum destes grupos a partir de ungulados primitivos paleogénicos.

Os Sirénios são os únicos mamíferos marinhos actuais com uma dieta herbívora, alimentando-se de algas e vegetação marinha. Na sua grande maioria são habitantes de meios aquáticos pouco profundos abrigados (zonas costeiras, estuarinas e/ou fluviais), em regiões tropicais a subtropicais, propícias à ocorrência da vegetação que constitui a sua alimentação.

A excepção consistiu numa linhagem surgida durante o Miocénico no Nordeste do Pacífico, que viria a dar origem ao Peixe-boi-de-Steller, adaptado a águas mais frias e a uma dieta exclusiva de bodelha (alga marinha). Esta espécie extinguiu-se em tempos históricos (por volta de 1750), por acção do Homem, apenas 25 anos após a sua descoberta para a ciência.

Mário Estevens estevens@mail.telepac.pt

T

Pergunta:
(Última edição: Quinta, 2 Outubro 2008, 05:30)
Resposta: Alguém poderá esclarecer-me sobre o valor mais correcto?

Contribuição 1

Diria que está entre 4600 e 4500 milhões de anos (... sabe-se lá até quando!). De outro modo: a idade da Terra - determinada através de uma série de medicões radiométricas (Rb-Sr) em meteoritos - é de 4550 milhões de anos, mais ou menos 1% de erro, ou seja... 4595,5 milhões de anos a 4504.5 milhões de anos. Há quem refira pura e simplesmente 4560 milhões de anos.
Enfim, à escala humana qualquer um dos valores indicados é correctissimo!!
Cumprimentos.
Consultas aconselhadas (em inglês, sorry!):
http://www.talkorigins.org/faqs/faq-age-of-earth.html
http://www.dinosauria.com/dml/history.htm


Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa

Contribuição 2

Achei oportuno contribuir com este pequeno texto face ao mail do colega Paulo Legoinha que se indaga quanto à idade da terra.
Em Janeiro de 2001 surgem dois artigos na revista NATURE (vol. 409, Janeiro 2001);
1. Wilde et al., 2001. Evidence from detrital zircons for the existence of continental crust and oceans on the earth 4.4. Gyr ago, e
2. Mojzsls et al., 2001. Oxygen isotope evidence from ancient zircons for liquid water at the earth's surface 4.300 Myr ago, que são bastante fáceis de digerir e que apontam para a formação da terra entre 4.550 and 4.030 milhões de anos mas o mais interessante é que o primeiro artigo demonstra que conseguiram datar um cristal de zircão a 4.4 Ga o que torna claro a existência de crusta terrestre com essa idade.
Para os que não querem dar ao trabalho de procurar as ditas referências bibliograficas uma síntese destes dois artigos foi publicada pelo Diário de Notícias em 10 de Janeiro.

Daniel de Oliveira
Instituto Geológico e Mineiro - Alfragide

Contribuição 3

Muito interessante, mesmo. Como poderá ser dificil encontrar os referidos textos, aqui envio o link do press release que contem os elementos principais do assunto.
Esta descoberta parece não bulir com a idade admitida para a origem da Terra (4550±1% milhões de anos).

O que ela mostra, aliás surpreendentemente, é que aos 4400 milhões de anos (Ma) já a Terra estava suficientemente fria para existir crusta e até àgua, numa altura em que se pensava que era ainda uma bola de magma incandescente bombardeado por meteoritos.

Ora, e corrijam-me se estiver errado, das duas uma: ou o arrefecimento do magma pode ser mais rápido do que se pensa, ou a Terra é talvez ainda mais antiga do que se admite.

De qualquer modo é espantoso como um minusculo grão de zircão da Terra pode por em causa a teoria da formação da Lua!!!

"This early age restricts theories for the formation of the moon," Valley says. "Perhaps the moon formed earlier than we thought, or by a different process." Another intriguing question is whether or not life may have arisen at that early time. Low temperatures and water are preconditions for life. The earliest known biochemical evidence for life and for a hydrosphere is estimated at 3.85 billion years ago, and the oldest microfossils are 3.5 billion years old."

Também faz pensar se a Vida tera' aparecido na Terra ainda mais cedo ...

Observem esta figura.

Em sintese:

"Big Bang" / Origem do Sistema solar --> Formação da Terra e da Lua (4600 a 4500 Ma) --> Intenso bombardeamento por meteoritos, possivelmente eliminando, por várias vezes, a vida primitiva antes de alguma ter sobrevivido (4500 a 3800 Ma) --> a Vida estabelece-se definitivamente (4400 a 3800 Ma) --> primeiros indícios de Vida (estromatolitos) em rochas da Groenelândia (3800 Ma) --> primeiros fósseis semelhantes a cianobacterias, na Austrália e África do Sul (3500 Ma) --> aparição das primeiras células autotróficas/fotossíntese, libertação de O2 (3000 a 2500 Ma) --> atmosfera oxidante (2000 Ma) --> células eucarióticas (2000 a 1500 Ma) --> reprodução sexuada, acréscimo da variação genética e aceleração da Evolução biológica (1500 a 1000 Ma) --> organismos multicelulares (1000 a 700 Ma) --> multiplicação de animais providos de esqueleto (desde 540 Ma, Câmbrico) --> evolução de animais e plantas até a actualidade -->

Futuro --> redução drástica da diversidade devido à acção do Homem ( 2000 anos DC) --> aparição do Ciberóide, Homo virtualis (2050 a 2100 anos DC) --> extinção do Homo sapiens (2150 a 2500 anos DC) --> repovoamento do planeta por seres extra-solares (5000 a 6000 anos DC) --> Formação da segunda Lua devido a impacto de meteorito com as dimensões de Venus (10000 anos DC) ( grande sorriso sorrisos)

Saudações geológicas.
Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:27)
Resposta: A afirmação é correcta para H2O e outros voláteis, tais como F e Li. No entanto, os resultados experimentais de Wyllie e Tuttle (1961, 1964) evidenciam um acréscimo nas temperaturas de fusão com aumento de NH3 e HCl, sendo este acréscimo apenas apreciável para concentrações elevada de NH3 e HCl. Não se observam mudanças significativas no caso de SO3, verificando-se apenas um ligeiro decréscimo das temperaturas de fusão quando adicionado P2O5. Sugerimos a consulta da seguinte publicação, onde os autores apresentam uma boa síntese dos resultados experimentais disponíveis:
JOHANNES W., HOLTZ F. (1996). Petrogenesis and experimental petrology of granitic rocks. Springer-Verlag.

Graciete Dias (Dep. de Ciências da Terra - Univ. do Minho)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:11)
Resposta: Sandro E. G. Fernandes
Universidade do Algarve

A análise paleoecológica de testemunhos de sondagens (cores) é, geralmente, feita com grupos micropaleontológicos devido à necessidade em garantir um número mínimo de exemplares (100 a 300, no geral), para efeitos de representatividade estatística. Por seu lado, os trabalhos paleoecológicos em sondagens procuram tirar o máximo partido de uma amostragem densa, isto é, pequenos volumes de amostra recolhidos a curtos intervalos de espessura do(s) testemunho(s), a fim de procurar obter séries temporais com a maior resolução temporal possível (tendo em conta os efeitos da bioturbação, ressedimentação, erosão, etc...). Deste modo, a utilização de grupos de macrofósseis, embora possível, tira pouco partido deste tipo de amostragem.
Seja como for, o meu conselho é: tentar recolher o maior número possível de exemplares completos (ou pelo menos reconheciveis) no menor volume (espessura) por amostra possível, no maior número de amostras possível. A partir daí, boa sorte...
Ao teu dispor para futuras trocas de opinião, saudações paleontológicas,
Mário Cachão (mcachao@fc.ul.pt)

P.S. Lamento mas não conheço bibliografia especifica sobre a tua questão (talvez se referires os grupos de macrofósseis com que trabalhas poderei ser mais específico).

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