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  TODAS

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:44)
Resposta:

Não existem rias actualmente em Portugal. Os ambientes de ria mais próximos situam-se no litoral galego. Alguns dos nossos sistemas lagunares e estuarinos (Lagoa de Albufeira e Melides, por exemplo) já foram, num passado recente (após 10 000 e até há cerca de 6000-5000 BP) rias.

Conceição Freitas
Univ. de Lisboa


Palavra(s) chave:
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:45)
Resposta:

Contribuição 1

Conjunto de serras que ocupa uma posição central no território nacional. O soerguimento da Cordilheira Central Portuguesa fez-se, provavelmente, desde meados do Tortoniano (ca 9.5 Ma) até à actualidade, em sucessivas fases tectónicas.
Paulo Legoinha (pal@fct.unl.pt) & P. Proença e Cunha (pcunha@ci.uc.pt)

Contribuição 2

Quanto à Cordilheira Central, creio útil acrescentar que é um sistema montanhoso que tem a sua continuação para Espanha (onde tem a designação de Sistema Central). É um conjunto de relevos alongados segundo ENE-WSW, constituídos por blocos ("horsts") de terrenos paleozóicos. Em Espanha inclui as Serras de Guadarrama e de Gredos, e em Portugal inclui as Serras da Estrela, Gardunha e Lousã. Para SW parece ligar-se morfológicamente às Serras do Maciço Calcário Estremenho (Aire, Candeeiros, Montejunto), o que poderá corresponder à presença de idênticos "horsts" sob a cobertura mesozóica.
Nuno Pimentel - pimentel@fc.ul.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:46)
Resposta: Um vale tifónico é um vale associado a uma estrutura diapírica. Designa os vales situados no interior de diapiros extruídos à superfície, formados pela erosão diferencial entre os bordos, normalmente constituídos por rochas resistentes à erosão (ex: calcários), e o seu núcleo, normalmente constituído por rochas friáveis ou facilmente solúveis (ex: argilas, argilas evaporíticas, evaporitos). Este termos expressa um conceito geomorfológico e não estrutural. O termo foi criado pelo geólogo suíço Paul Choffat (final do século passado - início deste século) ("vallé typhonique") que deu um contributo extraordinário para a geologia portuguesa. A palavra tifónico está etimologicamente ligada à divindade egípcia das profundezas, chamada Tuphon (do grego).
José Carlos Kullberg (jck@fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:49)
Resposta:

Contribuição 1

Peneplanicie - superfície hipotética para a qual as figuras da paisagem são reduzidas através de continua erosão fluvial e por deslocação de massas rochosas e de solo (mass wasting). Pediplanície - superfície degradacional formada junto ao sopé de relevos importantes, produzida em climas áridos. Esta pode estar quer exposta a superfícies, quer coberta por aluviões contemporâneos.
Tiago Alves (talves@fs1.ge.man.ac.uk)

Contribuição 2

Vão aqui moradas electrónicas de glossários de geologia e geomorfologia que podem ajudar a algumas questões:
http://www.geology.iastate.edu/new_100/glossary.html
http://www.geologylink.com/glossary/
http://www.geog.ouc.bc.ca/physgeog/physgeoglos/glossary.html
http://main.amu.edu.pl/~sgp/gw/gw1.htm
Isabelle Sacramento Grilo (isacrame@sciences.sdsu.edu)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:57)
Resposta: E também sobre a lei da constância dos ângulos interfaciais de um cristal.
Paula Eduarda Matos Neto

1. Gostava de saber tudo o que me possa informar sobre a formação de cristais.

A questão é muito vaga.
Procurando ajudar pode-se dizer que a matéria cristalina se pode formar, fundamentalmente, por 3 processos de cristalização:
-a partir de uma solução
-a partir de uma substância fundida
-a partir de um gás

A cristalização a partir de uma solução pode efectuar-se por evaporação lenta e gradual de soluções sobressaturadas, quer por diminuição da temperatura, quer por diminuição da pressão.
A partir de uma substância fundida também se pode dar Cristalização. Quando um magma arrefece os diferentes iões são atraídos uns pelos outros formando "núcleos cristalinos" dos diferentes minerais. A cristalização efectua-se pelo acarreio de iões, nas mesmas proporções em que formam as partículas constituintes da rocha sólida resultante.
A terceira forma de cristalização, a partir de um gás ou vapor, é menos frequente que as anteriores embora os princípios fundamentais sejam idênticos. Os átomos dos elementos dissociados agrupam-se lentamente quando se dá o arrefecimento de um gás, até formar um sólido com uma estrutura cristalina bem definida. Como exemplo deste modo de cristalização temos os cristais de enxofre que se formam por arrefecimento das fumarolas vulcânicas e vapores carregados de S (enxofre), nas regiões vulcânicas.

2. E também sobre a lei da constância dos ângulos interfaciais de um cristal.

A estrutura interna de qualquer substância cristalina é constante e está relacionada com as faces do cristal . A lei da constância dos ângulos ou lei de Romeu de l'Isle* traduz esta ideia ao afirmar que "em todos os cristais de uma mesma substância os ângulos formados por faces correspondentes no cristal são sempre os mesmos".
Este facto é importante em cristalografia pois permite identificar minerais pela medição de ângulos entre faces características nos cristais. Por exemplo: um cristal pode aparecer distorcido, isto é, com um desigual desenvolvimento de faces, mas os ângulos interfaciais correspondentes são sempre os mesmos.

*A lei da constância dos ângulos ou lei de Romeu de l'Isle (1736-1790) teve como base deducões de Niels Stenon Nicolaus (1638-1686) e Domenico Guglielmini (1655-1710) que levaram à sua descoberta.

Com os melhores geocumprimentos,
Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 21:59)
Resposta: As rochas são formadas por cristais ou minerais ?
Fernando Alves

Contribuição 1

As rochas são associações naturais de minerais. Minerais, por sua vez, são substâncias naturais, com estrutura cristalina e com uma composição química bem definida. Os minerais podem ocorrer na Natureza em cristais isolados ou agregados. os cristais podem ser macroscópicos ou microscópicos, podem ser geometricamente perfeitos ou não apresentar nenhuma forma regular.
Isto é, um mineral é uma substância (com as características mencionadas) mas a forma como ocorre é em cristais (uma vez que possui uma estrutura cristalina).
De um modo muito simplista, podemos fazer a seguinte analogia: a madeira é uma substância que pode estar na forma de mesa, porta, cadeira, etc.

José B. R. Brilha
Departamento de Ciências da Terra

Contribuição 2

Vamos começar do princípio, ou seja, o que é um cristal e o que é um mineral:

Um cristal é uma porção de matéria cristalina limitada por faces naturais. Ou seja, para que uma determinada forma geométrica seja um cristal, é necessário que seja constituída por matéria cristalina e que as faces visíveis sejam naturais e não feitas pelo homem.

Quanto ao mineral, a questão é complexa. Isto é, existem diversas formas de definir um mineral, mas vamos pela chamada "definição intuitiva".

  1. É fora de questão que um mineral é uma substância natural. Isto exclui qualquer substância, cristalina ou não, feita pelo homem. Isto é, um diamante natural é um mineral, um diamante artificial não é.
  2. Um mineral, como "intuitivamente" se entende, é uma substância sólida. Notem que, no sentido restrito do termo, isto implica que tenha uma estrutura interna cristalina, pois, de acordo com a Física, uma substância amorfa não é mais do que um líquido extrememente viscoso (por exemplo, ao longo dos séculos verifica-se o "escorrimento" de vidros de janela - nos vitrais de igrejas da Idade Média, por exemplo).
  3. Derivado da anterior, um mineral é constituído por matéria cristalina.
  4. Um mineral tem composição química definida (pode, é certo, variar entre limites bem definidos). Isto por contraposição a uma composição química "fixa", que não admite variação. Como exemplo, temos a série das olivinas, p. ex., que variam continuamente entre dois limites perfeitamente definidos (a faialite e a forsterite).
  5. Um mineral tem génese inorgânica (temos de nos basear, de novo, no conceito "intuitivo" de mineral)
Temos, assim, em resumo, que um mineral é uma substância natural, sólida, cristalina, de génese inorgânica, e de composição química bem definida.

Assim, a resposta à questão é a de que um mineral pode, ou não, ter uma forma cristalina e um cristal pode, ou não, ser um mineral. (não podia ser mais ambíguo)

>As rochas são formadas por cristais ou minerais ?
As rochas são, na sua maioria, formadas por minerais, com várias excepções (por exemplo, vidros vulcânicos, ou rochas orgânicas)

Félix Mendes
Min. da Educação

Contribuição 3

Em relação à definição de mineral não será importante dizer que há minerais líquidos como o mercúrio, ou é errado? E que a estrutura interna cristalina não é mais que o arranjo "atómico" ´(ou iónico) ordenado? É que esta dúvida que foi posta é muito frequente entre alunos e até entre professores do secundário! Há manuais escolares que até dizem que a "textura" dos minerais, pode ser cristalina ou vítrea (vide manual da Porto Editora, 11º ano, versão de 1997).

Edite Bolacha
Prof.ª Ensino Secundário

Contribuição 4

Para criar alguma entropia aqui vão alguns conceitos:

Cristais e Minerais

Cristal (sentido lato) - qualquer porção de matéria cristalina, ou seja com estrutura interna ordenada (arranjo regular, periódico, dos átomos ou grupo de átomos que constituem determinada substância).

Cristal (sentido restrito) - porção de matéria cristalina que assumiu a forma de um poliedro (sólido geométrico), em consequência da sua estrutura interna ordenada.

Mineral - corpo sólido, natural e inorgânico, com uma estrutura interna cristalina, com composição química bem definida (fixa ou variável entre certos limites também bem definidos) e podendo assumir a forma de um poliedro
(cristal no seu sentido restrito).

Desta definição de mineral (que é bastante restritiva) citam-se alguns exemplos de possíveis exclusões:
1. mercúrio nativo - uma vez que não é sólido;
2. opala - uma vez que não tem estrutura interna cristalina mas sim amorfa, sendo classificada como um mineralóide;
3. pérola - uma vez que não é inorgânica mas sim produzida por um animal;
4. limonite - óxido de ferro hidratado sem estrutura interna cristalina;
5. âmbar - uma vez que não é inorgânico mas sim uma resina fóssil
produzida por gimnospérmicas.

E já agora fica para discussão: o Gelo - mineral ou não?

Rochas
As rochas podem ser constituídas por três grandes grupos de substâncias:
- matéria cristalina (que mais não é do que os minerais e que pela
definição acima são cristais no sentido lato do termo);
- matéria amorfa (matéria que não têm estrutura interna ordenada);
- matéria de origem orgânica (restos de organismos tais como os fósseis).

As rochas mais comuns serão aquelas que apenas são constituídas por matéria cristalina. Como exemplos podemos citar o Granito. Algumas rochas poderão apresentar apenas matéria amorfa. Como exemplo podemos citar os vidros vulcânicos. Outras terão parte de matéria amorfa e de matéria cristalina. Como exemplo podemos citar o basalto, rocha onde se distinguem alguns minerais (como a olivina e a piroxena) mas que também possui porções de matéria vítrea. Grande parte das rochas sedimentares, além de matéria cristalina, possuem na sua composição matéria de origem orgânica, são por excelência aquelas onde se podem encontrar fósseis (restos de conchas, carapaças, ossos, ovos, excrementos- também designados coprólitos, etc.). Como exemplos mais comuns podemos citar as margas ou os calcários. Algumas rochas são consideradas como tendo apenas matéria de origem orgânica (embora isto seja muito difícil de acontecer, uma vez que nas bacias de sedimentação tanto entra a matéria mineral como a matéria de origem orgânica). São vários os exemplos que podemos citar:
- os diatomitos - rochas constituídas, quase exclusivamente, por carapaças de diatomáceas;
- os carvões (lignite, carvão betuminoso e antracite) - rochas constituídas, quase exclusivamente, por restos de vegetais;
- os petróleos - rocha líquida constituída, quase esclusivamente, por matéria orgânica de origem planctónica.

E já agora fica para discussão:
1. a Turfa - rocha ou não?
2. a Areia - rocha ou não?

A. Guerner Dias
Univ. do Porto

Contribuição 5

> E já agora fica para discussão: o Gelo - mineral ou não?

O glossário da Julia Jackson, 4ª edição, do Instituto Geológico Americano diz o seguinte:

mineral:
a) a naturally occurring inorganic element or compound having a periodically repeating arrangement of atoms and characteristic chemical composition, resulting in distintive physical properties.

b) an element or chemical compound that is crystalline and that has formed as a result of geologic processes. Materials formed by geologic processes from artificial substances are no longer accepted (after 1995) as new minerals.
Mercury, a liquid, is a traditional exception to the cristallinity rule.
Water is not a mineral (although ice is), and crystalline biologic and artificial materials are not minerals.

c) any naturally formed inorganic material, i.e. a member of the mineral kingdom as opposed to the plant and animal kingdoms.

mineraloid - a naturally occuring, usually inorganic substance that is not considered to be a mineral because it is amorphous and thus lacks a periodically repeating arrangement of atoms. e.g. opal. Syn: gel mineral

> 1. a Turfa - rocha ou não?
Voto não, mas talvez esteja em vias de ser, sim.

> 2. a Areia - rocha ou não?
Que mais poderia ser? Um agregado mineral ? Mas se isto mesmo é a definição de rocha!! Por amor de Deus, não brinquem com as definições... que ainda (me) confundem os alunos.

A verdadeira questao é a de saber se a pedra do rim é um mineraloide... ou não?


>Edite Bolacha escreveu:
>Há manuais escolares que até dizem que a "textura" dos minerais, pode ser cristalina ou vítrea (vide manual da Porto Editora, 11º ano, versão de 1997).
Não é muito grave; cristalina (adjectivo) : transparente como cristal; límpida; clara.

No entanto seria conveniente evitar, dada a possível confusão com o termo "estrutura". Estrutura cristalina é o tal arranjo atómico que se repete periodicamente (e que para o cidadão comum nada tem de transparente, límpido ou claro - talvez por isso tanta confusão!). "Textura" e "Estrutura" não devem ser usados como sinónimos.

Paulo Legoinha
Univ. Nova de Lisboa
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:00)
Resposta: Quanto a "oncóides" e "oncólitos"... referem-se a clastos esféricos, até 5-6 cm de diâmetro, formados por acreção de material sedimentar em torno de um grão, por acção de cianobactérias. Diferem dos oólitos pelo tamanho e pela origem relacionada com actividade biológica. Consulte esta página:
http://www.es.mq.edu.au/courses/GEOS260/carbonclass.htm

Aqui pode ver a imagem de um oncóide:
http://www.desertfishes.org/cuatroc/orgs/stromato/oncoid.jpg

Quanto às diferenças e semelhanças... creio que oncóide é a designação da estrutura original formada pelas cianobactérias; oncólitos serão restos ou fragmentos de oncóides que se encontram incluídos num determinado estrato ou camada sedimentar...
(Se algum colega mais especializado nestes domínios quiser acrescentar ou corrigir algo... esteja à vontade!)

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:03)
Resposta: O conceito de fóssil vivo é problemático, senão contraditório! Se são vivos... não são fósseis!
São disso exemplo as bactérias contemporâneas da génese dos petróleos onde são encontradas.

O conceito refere-se a seres que ainda hoje existem e quase nada evoluiram em relação a formas idênticas conhecidas no registo fóssil (por exemplo, desde o Paleozóico - 248 a 540 Ma). Neste sentido podem ser considerados formas relíquia:
  1. Ginkgo biloba (àrvore), conhecida desde o Devónico (< 440 Ma);
  2. Lingula (braquiópode), conhecido desde o Ordovícico (< 495 Ma);
  3. Coelacanthus (peixe), conhecido fóssil desde o Devónico ao Cretácico; contudo, no século passado (1938) foram pescadas nas costas da África do Sul formas muito semelhantes que receberam o nome de Latimeria n. gen. em virtude do maior porte e peso bem como regrssão da ossificação.
Sobre esta questão escreveu um aluno (João Pedro Soares Fernandes/UNL) num trabalho de Paleontologia:

"Existem hoje na Terra animais que conseguiram permanecer imutáveis ao longo de centenas de milhões de anos, resistindo a extinções em massa, a inúmeros estímulos agressivos do meio e pondo mesmo em causa várias teorias da evolução. O nautilus, o tuatara, os celacantes, os peixes pulmonados... todos eles resistiram à mudança, aparentemente uma característica da vida, e continuam a viver do mesmo modo desde tempos ancestrais. Certos autores afirmam que muitos destes fósseis vivos habitam ambientes marinhos profundos (como é o caso do nautilus, do celacante e da neopilina), sujeitos a alterações mínimas no decurso do tempo. Mas como explicar a situação do tuatara, de diversas libelinhas, do ornitorrinco, dos onicoforados e de diversos peixes actinopterígeos que não se encontram nestas situações? Terão de ser repensados os processos que servem de motor à evolução... ou a excepção fará a regra?

Serão os fósseis vivos falhas da Natureza (ou falhas na concepção feita pelo homem)... ou prova da sua inteligência? E isto não seria o mesmo que perguntar: Será a bicicleta uma falha do intelecto humano... ou prova da sua inteligência, ocupando o seu devido lugar no panorama criativo humano? Será que a bicicleta é um "fóssil vivo" em relação à mota?"

Pontos de partida para pesquisa na internet:
http://www.newcreationism.org/StasisList.html
http://www.ucmp.berkeley.edu/vertebrates/coelecanth/coelecanths.html

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:05)
Resposta: O termo palinologia foi criado por Hyde & Williams (1944 in Tschudy & Scott 1969) para designar o estudo de pólenes e esporos (fósseis e actuais). Grande parte dos palinólogos utilizam-no para designar o estudo de palinomorfos encontrados nas rochas sedimentares.

A palinologia constitui uma sub-divisão da paleobotânica, sendo o seu estudo facilitado por quatro características que os pólenes e esporos possuem (Tschudy e Scott 1969):
  • a grande resistência à degradação, o que facilita a preservação como fósseis;
  • as dimensões (normalmente inferiores a 150 micra), as quais possibilitam o transporte e a deposição em conjunto com sedimentos finos;
  • a complexidade morfológica, o que permite distinguir e caracterizar diferentes formas;
  • e a produção em elevado número, o que facilita a recolha e o estabelecimento de estudos estatísticos significativos.
Os palinomorfos representam partes preservadas de vários organismos ou estruturas orgânicas, com dimensões variando entre 10 e 500 micra. Nos palinomorfos são incluídos esporos, pólenes, microorganismos planctónicos e bentónicos com carapaça não mineralizada (dinoflagelados, quitinozoários, acritarcas). Muitos palinomorfos, especialmente pólenes, esporos e dinoflagelados, tendem a ser mais abundantes que outros fósseis. A esporopolenina, principal componente das paredes dos palinomorfos é provavelmente um dos compostos orgânicos mais inertes quimicamente.

A palinologia é importante para a Estratigrafia na medida que dá indicações acerca da idade relativa (tempo geológico) dos sedimentos e permite caracterizar os ambientes (temperatura, humidade, marinho/continental), em que se formaram os sedimentos que contém os palinomorfos:
  • os esporos e pólenes permitem-nos conhecer a evolução da vegetação na Terra (últimos 420 milhões de anos);
  • os microorganismos (foraminíferos, dinoflagelados, quitinozoários) planctónicos (que flutuam) e/ou bentónicos (que vivem junto ou enterrados nos fundos) dão-nos indicações acerca da idade relativa dos sedimentos e permitem estimar a profundidade, temperatura, luminosidade e salinidade das águas dos mares (e/ou lagos) em que viveram.
Assim, a palinologia ajuda-nos a conhecer melhor a evolução do planeta Terra, principalmente no que diz respeito à geografia e climas.

Lígia Sousa ls@mail.fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:07)
Resposta:

Contribuição 1

Hadean = Hadeano
Archaean = Arcaico (ou Arqueozóico)
Proterozoico = Proterozóico
Vendian = Vendiano

Não sei se em outras universidades portuguesas (segundo outras lógicas de aportuguesamento) utilizam estes termos com estas grafias ou se adoptaram outros.

Espero ter esclarecido as vossas dúvidas.

Carlos Marques da Silva (Paleo.Carlos@fc.ul.pt) :

Contribuição 2

Hadean: Hadaico
Archaean: Arcaico
Proterozoico: Proterozóico
Vendian : Vendiano - subdivisão geocronométrica do Precâmbrico, abrangendo o intervalo de tempo entre os 610 e os 570 Ma(milhões de anos).

Podem consultar uma tabela cronostratigrafica em http://www.dct.fct.unl.pt/GEOPOR/GPdiv/HTerra.JPG

Paulo Legoinha (pal@mail.fct.unl.pt ):

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