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  TODAS

Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:07)
Resposta: As características morfológicas dos seres vivos resultam de adaptações dos seus organismos às condições físico-químicas dos ambientes em que vivem, ou explicam-se pela sua função (protecção contra predadores, defesa contra factores físicos ou químicos desfavoráveis, promover/facilitar a reprodução, etc).

Relativamente às carapacas dos foraminíferos passa-se o mesmo. As formas planctónicas desenvolvem carapaças com câmaras globosas pois estas facilitam a flutuação. No caso dos bentónicos, se o substracto for arenoso e houver um forte acarreio de partículas detríticas, então, predominam carapaças de tipo aglutinado, isto é, construídas pela aglutinação através de um cimento orgânico de partículas que constituem o substracto.

Por vezes, variações na intensidade da ornamentação (nódulos, espinhas, costilhas, rugosidades, etc.) e porosidade das conchas parecem justificar-se com variações de salinidade, temperatura e profundidade dos ambientes.

Modificações do sentido de enrolamento das carapaças, de certas espécies planctónicas, correlacionam-se com mudanças da temperatura das àguas do mar (periodos mais quentes/periodos mais frios).

Podem encontrar-se ainda, mais raramente, formas anormais ou aberrantes, de certas espécies, que se explicam pela ocorrência de condições ambientais muito desfavoráveis ("stress" ambiental).

Paulo Legoinha pal@mail.fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:09)
Resposta:

Contribuição 1

Balanídeos são crustáceos que apresentam concha calcária no estado adulto. Fixam-se a rochas do fundo do mar ou a outros substratos. Caracterizam a fácies costeira (zona entre-marés). Algumas formas estão adaptados à vida recifal, outras podem fixar-se a baleias e tartarugas.

Paulo Legoinha pal@mail.fct.unl.pt

Contribuição 2

Por Sirénios designam-se os mamíferos marinhos pertencentes à ordem Sirenia, representada actualmente por 4 espécies (3 manatins e 1 dugongo). Outros nomes comuns utilizados são peixe-boi, vaca-marinha, etc.

O seu registo fóssil estende-se do Eocénico inferior à actualidade, tendo atingido uma maior diversidade como grupo durante o Miocénico (quando também ocorreram em Portugal).

Reconhecem-se afinidades com outras ordens actuais de mamíferos, nomeadamente os Proboscidea (elefantes) e Hyracoidea (daimões), sugerindo uma origem comum destes grupos a partir de ungulados primitivos paleogénicos.

Os Sirénios são os únicos mamíferos marinhos actuais com uma dieta herbívora, alimentando-se de algas e vegetação marinha. Na sua grande maioria são habitantes de meios aquáticos pouco profundos abrigados (zonas costeiras, estuarinas e/ou fluviais), em regiões tropicais a subtropicais, propícias à ocorrência da vegetação que constitui a sua alimentação.

A excepção consistiu numa linhagem surgida durante o Miocénico no Nordeste do Pacífico, que viria a dar origem ao Peixe-boi-de-Steller, adaptado a águas mais frias e a uma dieta exclusiva de bodelha (alga marinha). Esta espécie extinguiu-se em tempos históricos (por volta de 1750), por acção do Homem, apenas 25 anos após a sua descoberta para a ciência.

Mário Estevens estevens@mail.telepac.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:11)
Resposta: Sandro E. G. Fernandes
Universidade do Algarve

A análise paleoecológica de testemunhos de sondagens (cores) é, geralmente, feita com grupos micropaleontológicos devido à necessidade em garantir um número mínimo de exemplares (100 a 300, no geral), para efeitos de representatividade estatística. Por seu lado, os trabalhos paleoecológicos em sondagens procuram tirar o máximo partido de uma amostragem densa, isto é, pequenos volumes de amostra recolhidos a curtos intervalos de espessura do(s) testemunho(s), a fim de procurar obter séries temporais com a maior resolução temporal possível (tendo em conta os efeitos da bioturbação, ressedimentação, erosão, etc...). Deste modo, a utilização de grupos de macrofósseis, embora possível, tira pouco partido deste tipo de amostragem.
Seja como for, o meu conselho é: tentar recolher o maior número possível de exemplares completos (ou pelo menos reconheciveis) no menor volume (espessura) por amostra possível, no maior número de amostras possível. A partir daí, boa sorte...
Ao teu dispor para futuras trocas de opinião, saudações paleontológicas,
Mário Cachão (mcachao@fc.ul.pt)

P.S. Lamento mas não conheço bibliografia especifica sobre a tua questão (talvez se referires os grupos de macrofósseis com que trabalhas poderei ser mais específico).
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:13)
Resposta: Tal como o nome indica é a deslocação da barra (como um corpo sedimentar) para uma nova posição, como resposta à movimentação dos sedimentos por efeito dum fluxo aquoso. Isto pode acontecer por alteração induzida no sentido do movimento da corrente, na sua velocidade, etc. Trata-se dum evento geológico de escala diferente daquela em que incluímos as transgressões e regressões.

Isabel Caetano Alves (icaetano@dct.uminho.pt)
Universidade do Minho
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:14)
Resposta: Bruno Fernandes

O termo Kolmatito parece-me que não existe, a não ser que seja uma rocha que vá kolmatar vazios deixados por outras. sorriso
O que me parece mais próximo é Komatiito (traduzindo directamente do termo inglês Komatiite). É uma rocha vulcânica ultramáfica que cristaliza a partir de magmas de alta temperatura com 18-32% de MgO. É composta por olivina, piroxena e alguma cromite numa matriz vítrea. Forma muitas vezes pillow-lavas e desenvolve textura spinifex.

Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa (jars@helios.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:16)
Resposta: Também gostava de ver esclarecida qual a importância do estudo dos sistemas binários como o sistema forsterite-diópsido-silica e o sistemafosterite-diopsido-silica a altas pressões mais uma vez no estudo das rochas igneas. É uma optima ideia a criação de sites deste género para k os curiosos e interessados pela geologia possam tirar as suas dúvidas
Teresa Canha

Lherzólito é uma rocha ígnea, plutónica, ultramáfica similar a um peridotito. Contém 40-90% de olivina, >5% de ortopiroxena e >5% de clinopiroxena com plagioclase, espinela e granada acessórias. É tida como modelo para a composição do manto superior.
Segundo Bravo & Rodrigues (1983) o estudo laboratorial de sistemas simples adequados pode constituir um valioso complemento às observações de campo e aos estudos mineralógicos, petrográficos e químicos de rochas ígneas. O resultado desses estudos laboratoriais é geralmente sintetizado sob a forma de diagramas de fases que são representações geométricas dos campos de estabilidade de fases (minerais e líquidos) em função da pressão, temperatura e composição. O sistema forsterite-diópsido-silica não é, salvo erro, binário mas sim ternário.

Rodrigues, B., Bravo, M. (1983): Interpretação de diagramas de fases de interesse geológico. Univ. Nova de Lisboa, Fac. de Ciências e Tecnologia.

Joaquim Simão
Univ. Nova de Lisboa (jars@helios.fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:17)
Resposta: O que são complexos subvulcânicos?
Li que os pequenos maciços de Sintra, Sines e Monchique constituem três estruturas subvulcânicas, casos particulares da geologia portuguesa. Também sei que aqueles três maciços de idade alpina estão relacionados com a formação de caldeiras subterrâneas. Porquê? Estou um pouco confusa em relação a este assunto, poderão esclarecer-me?

Subvulcanismo é um domínio de formação de rochas ígneas (hipabissais) a profundidades relativamente pequenas na terra (Hipabissal=Subvulcânico).

"Ring dike" ou dique circular é a designação atribuída a intrusão magmática que se instala em fracturas de contorno mais ou menos circular, podendo em alguns casos, limitar uma bacia de subsidência.

Complexo subvulcânico será um complexo de rochas ígneas formado num domínio subvulcânico.

Caldeira: cratera, em geral de grandes dimensões, formada pelo colapso ou subsidência da parte central de um edifício vulcânico.
(O que é, para si, uma caldeira subterrânea?)

Soleira, dique, lacólito são alguns dos modos de jazida das rochas ígneas.

* Soleira, sill ou filão camada é um filão em que a intrusão magmática se deu ao longo dos planos de estratificação dando origem a uma massa tabular de faces paralelas aos estratos encaixantes.
* Dique: filão vertical
* Lacólito: intrusão lenticular plano-convexa ou biconvexa em que se admite que o magma seguiu inicialmente um plano de estratificação tendo posteriormente provocado o encurvamento do tecto.

Relativamente aos Maciços de Sines, Sintra e Monchique são, sem dúvida, muito importantes no contexto da geologia portuguesa. De modo muito resumido e citando, a título de exemplo, alguns autores:

Segundo ROCK (1983) o Maciço de Monchique talvez seja um facólito ou lacólito subvulcânico. Segundo TEIXEIRA (1962, 1980) o Maciço de Sintra tem estrutura anelar subvulcânica (tipo "ring dike"). Segundo CANILHO (1972), TEIXEIRA (1980) o Maciço de Sines tem estrutura anelar subvulcânica.

Os 3 maciços são atribuídos, de modo geral, ao final do Cretácico estando, mais uma vez a título de exemplo, datados:
-Maciço de Monchique (72 Ma, segundo ROCK (1983))
-Maciço de Sines (67-78 Ma, segundo CANILHO (1972))
-Maciço de Sintra (95,3±8 Ma, segundo ABRANCHES & CANILHO (1980))

Segundo COELHO (1974) os 3 maciços estariam integrados no mesmo processo tectónico-magmático relacionado com a abertura do Atlântico norte, formação de "rifts" e abertura do Golfo da Biscaia. Mais informaçÑo sobre datação e génese dos 3 maciços pode também ser obtida, por exemplo, em AIRES-BARROS (1979), MENDES (1967-68), GONÇALVES (1967) e em muitos outros trabalhos de vários autores. A lista de trabalhos referenciados não é de modo nenhum exaustiva. Foram aqueles que, na tentativa de dar resposta breve à Carolina, me estavam mais acessíveis.

Esperando ter contribuído para o esclarecimento da geo-dúvida,

Geocumprimentos,
J.Simão jars@helios.si.fct.unl.pt
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REFERÊNCIAS

ABRANCHES, M.C.B. & CANILHO, M.H. (1980)- Estudo de geocronologia e geologia isotópica, pelo método do rubídio-estrôncio, dos três maciços mesozóicos portugueses: Sintra, Sines e Monchique. Bol. Soc. Geol. Portugal, Lisboa, vol. XXII, pp. 385-390.

AIRES-BARROS, L. (1979)- Actividade ígnea pós-paleozóica no continente português (elementos para uma síntese crítica). Ciências da Terra, UNL, vol. 5, pp. 175-214.

CANILHO, M.H. (1972)- Estudo geológico-petrográfico do maciço eruptivo de Sines. Bol. Mus. Lab. Min. Geol. Fac. Ciên. Univ. Lisboa, vol 12(2).

COELHO, A.V.P. (1974)- Téctónica comum na génese dos maciços de Sintra, Sines e Monchique. Nota prévia. Bol. Soc. Geol. Portugal, Lisboa, vol. XIX(II), pp. 81-90.

GONÇALVES, F. (1967): Subsídios para o conhecimento geológico do maciço eruptivo de Monchique. Comun. Serv. Geol. Portugal, Lisboa, Tomo LII, pp 169-184.

GONÇALVES, F. & TEIXEIRA, C. (1980)- Introdução à Geologia de Portugal. I.N.I.C., Lisboa, 475 pp.

MENDES, F. (1967-68): Contribuition à l´étude géochronologique, par la méthode du strontion, des formations cristallines du Portugal. Bol. Mus. Lab. Min. Geol. Fac. Ciên. Univ. Lisboa, vol 11(1), 155 pp.

ROCK, N.M.S. (1983): Alguns aspectos geológicos, petrológicos e geoquímicos do complexo eruptivo de Monchique. Comun. Serv. Geol. Portugal, Lisboa, tomo 69 (2), pp.325-369.

TEIXEIRA, C. (1962)- La structure annulaire subvolcanique des massifs éruptifs de Sintra, Sines et Monchique. Estudos científicos oferecidos em homenagem ao Prof. Doutor J. Carrington da Costa, J.I.C.U., Lisboa, pp. 461-493.
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:18)
Resposta: Os granitos formam-se no interior da crusta a profundidades intermédias.

Durante a fase de arrefecimento, a rocha forma-se sob determinadas condições de pressão hidrostática (proveniente da carga do material sobrejacente), diferentes das condições normais de pressão existentes à superfície (1 atmosfera).

Quando o material sobrejacente é erodido e o granito fica, assim, próximo da superfície, ou mesmo exposto, as tensões existentes nos maciços tendem a libertar-se. Devido a essa libertação de tensões, formam-se diaclases, em particular as subhorizontais; a acompanhar esta família, geram-se geralmente outras duas, subverticais e, portanto, três famílias subperpendiculares entre si.

José Kullberg jck@fct.unl.pt
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:21)
Resposta: Como relacionar as seguintes rochas: Ardósia, xisto, filito, shale. Como definir xistosidade, lineação e foliação. Qual a origem dos gneisses? Orto e paragneisses.

Contribuição 1

Vamos por partes:
  1. Foliação é uma propriedade que as rochas apresentam que se manifesta pela facilidade de se fracturarem segundo planos mais ou menos paralelos. Esta propriedade resulta, em muitos casos, de um alinhamento de minerais que possuem uma clivagem predominante segundo uma dada direcção. Xistosidade é um tipo de foliação. Neste caso esta é originada pela presença de grande quantidade de micas que estão orientadas na rocha. Lineação é uma propriedade das rochas apresentarem linhas, traços, que resultam do alinhamento de minerais prismáticos (em muitos casos).
  2. O termo "xisto sedimentar" não deverá ser usado devendo-se guardar a palavra xisto para caracterizar rochas de ambientes metamórficos. Em livros mais antigos (e infelizmente em alguns manuais escolares) surge o termo "xisto argiloso" como sendo uma rocha sedimentar. Trata-se de um argilito que possui uma foliação (em principio paralelamente à estratificação). Esta foliação resulta da existência de um alinhamento de minerais folhetados (normalmente micas) que, durante o processo de sedimentação se orientam exactamente do mesmo modo como um conjunto de folhas se orienta quando cai ao chão.
  3. 3. Ardósia é uma rocha metamórfica de grão fino, com foliação, normalmente de cores escuras. Filito é semelhante à ardósia embora a foliação não seja tão perfeita, podendo apresentar cores diversas. Xisto é uma rocha metamórfica que apresenta xistosidade (quando as micas são visíveis a olho nú, a rocha designa-se por micaxisto). Shale é um termo não muito utilizado em língua portuguesa e que dá origem a confusão. Ora aparece associado a rochas sedimentares de grão fino com foliação ora a rochas metamórficas também de grão fino.
  4. Gneisses são rochas metamórficas (de elevado grau de metamorfismo) de grão grosseiro que se caracterizam pela existência de bandas de mineralogia distinta. Ortogneisses são gneisses que resultam do metamorfismo de rochas ígneas (rochas graníticas) enquanto que os paragneisses resultam do metamorfismo de rochas sedimentares (arenitos na maior parte dos casos).
Em resumo:
Para rochas detriticas de grão fino de ambientes sedimentares, será melhor utilizar termos como argilito e siltito (de acordo com o tamanho dos sedimentos). Estas rochas podem ou não apresentar foliação (em caso afirmativo, a literatura anglo-saxónica utiliza o termo shale para estas rochas).
Para rochas metamórficas de grão fino, utilizam-se termos como ardósias, filitos e micaxistos. Se as rochas apresentam grão grosseiro e bandeamento, utiliza-se o termo gneisse.

Nota: As questões relacionadas com a nomenclatura das rochas pode suscitar ainda hoje alguma controvérsia. Assim poderão existir colegas que discordem desta minha resposta.

José Brilha (jbrilha@dct.uminho.pt)

Contribuição 2


Não é "linear" a resposta às suas questões; vou tentar ser o mais sucinto e exacto possível.

Existe alguma confusão na nomenclatura de rochas pelíticas, quer sedimentares quer metamórficas. Esta confusão advém de dois factos:
1 - da utilização "livre" (ou abusiva, como lhe quisermos chamar) de certos termos, nomeadamente no que se refere ao xisto;
2 - de haver uma sequência contínua de rochas com uma mesma origem (lodo argiloso ou argila - rocha sedimentar não consolidada) mas que podem apresentar diferentes estádios de evolução (diagénese e metamorfismo). Sendo contínua a sequência, torna-se difícil colocá-las em "gavetas" estanques, tradicional em qualquer tipo de nomenclatura (não deixa de ser um "mal necessário").

Nesta situação, recomendaria, como base de trabalho, a adopção da nomenclatura anglo-saxónica para uma classificação macroscópica que, gostemos ou não, é tradicionalmente simples e pragmática. Os termos adoptados na língua inglesa que designam as rochas deste parentesco (com origem no lodo argiloso e que apresentam diferentes graus de evolução) são, em grau crescente de evolução, os seguintes:

Mud ou clay - argila (sedimento constituído por uma mistura de partículas de dimensão inferior a 0,004 mm, geralmente silicatos de alumínio hidratados, com água).
Mudstone ou claystone - argilito (rocha sedimentar formada pela litificação de argilas, que não apresenta fissilidade - tendência das rochas em fragmentarem-se através de planos de estratificação extremamente finos); corresponde à argila compactada.
Shale - xisto argiloso (rocha sedimentar que apresenta fissilidade); corresponde ao argilito cimentado.
Slate - ardósia (rocha de baixo grau de metamorfismo, por vezes dita meta-sedimentar); apresenta clivagem produzida por pressão e textura afanítica. Curiosamente alguns autores anglo-saxónicos utilizam o termo "argillite" como sinónimo de "slate", o que em tradução literal para português, daria o argilito como sinónimo de ardósia.
Phyllite (ou "leaf stone") - filito (rocha metamórfica de grau médio, foliada, com minerais planares, como por exemplo micas, visíveis a olho nú). Os planos de foliação podem apresentar algum brilho sedoso.
Schist - xisto ou micaxisto (rocha metamórfica de alto grau, essencialmente formada por altas pressões, com uma foliação ou xistosidade muito desenvolvida, e constituída maioritariamente por micas - moscovite - com cristais muito desenvolvidos). Apresenta forte foliação, designada por xistosidade.
Gneiss - gnaisse (rocha metamórfica de muito alto grau, formada por altas pressões e altas temperaturas). Apresenta foliação e bandado composicional (leitos com composições mineralógicas distintas, uns típicamente de quartzo e feldspatos e outros de minerais máficos).

Em conclusão, para responder directamente às suas perguntas:

P: Como distinguir um xisto sedimentar de um metamórfico?
R: No sentido estrito do termo, não há xistos sedimentares.

P: Todos os xistos são metamórficos?
R: No sentido estrito do termo, sim.

P: Como relacionar as seguintes rochas: ardósia, xisto, filito, shale?
R: Ver texto anterior

P: Como distinguir xistosidade, lineação e foliação?
R: Começemos pela foliação e pela xistosidade.
Foliação (muitas vezes utilizada como sinónimo de clivagem) é um termo geral que abrange todas as estruturas planares existentes nas rochas metamórficas, produzidas por deformação. Esta designação inclui a clivagem de fractura, a clivagem de crenulação, a clivagem xistenta, a xistosidade e o bandado gnáissico. A xistosidade é, assim, um tipo de foliação, caracterizada pela ocorrência de groso suficientemente grandes para que a respectiva rocha seja classificada como um xisto (classificação não-genética). Quanto à lineação, podemos definir como: Qualquer estrutura linear que se encontra nas rochas, que pode ser superficial ou penetrativa (estrutura que se repete no interior das rochas a várias escalas de observação - macroscópico e microscópico). As lineações têm orientações consistentes e podem ser devidas a: (a) alinhamento preferencial de minerais prismáticos, como por exemplo a hornblenda; (b) intersecção de estruturas planares (p. ex: duas foliações); (c) alinhamento de eixos de dobras menores ou de bandas "kink" (dobramento penetrativo); (d) arranjo paralelo de elementos estruturais alongados.

P: Qual a origem dos gneisses? (é de evitar o "aportuguesamento" do termo original gneiss; é preferível utilizar gnaisse)
R: Os gnaisses têm origem na metamorfização (com fusão parcial) de rochas sedimentares (ex: argilitos) com estratos bem diferenciados, ou de rochas ígneas (ex: granitos) que sofreram a chamada diferenciação metamórfica (processo de migração química). Os primeiros são designados, quanto ao parentesco, como paragnaisses e, os segundos, como ortognaisses.

José Carlos Kullberg (jck@fct.unl.pt)
Pergunta:
(Última edição: Terça, 30 Setembro 2008, 22:25)
Resposta: Uma rocha possui textura afanítica quando não se conseguem identificar os seus minerais a olho nú devido à sua pequena dimensão. No caso de um filão muito alterado o que pode acontecer é que esta alteração modifique completamente a textura inicial da rocha presente no filão (normalmente provocando a formação de minerais de argila e óxidos de ferro). No entanto, parece-me que não se deve utilizar o termo afanítico para descrever a textura do filão alterado, a menos que seja esta a textura da rocha inicial que ainda seja possivel identificar em partes menos alteradas do filão. A origem basáltica do filão só se pode comprovar se ainda for possivel observar a natureza basáltica da rocha que preencheu o filão. Como tal normalmente não é possível, utiliza-se uma designação mais genérica - filões de rocha básica.

José Brilha (jbrilha@dct.uminho.pt)

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